31/08/2026

UM PLANETA EM ALERTA - COMO VIVER DIANTE DAS CATÁSTROFES?

Vivemos uma época paradoxal. Nunca o ser humano dispôs de tantos recursos tecnológicos para monitorar, compreender e prevenir catástrofes e, ao mesmo tempo, nunca esteve tão exposto emocionalmente a elas. Terremotos, enchentes, deslizamentos, incêndios, furacões, ondas de calor e outros fenômenos naturais deixaram de ser acontecimentos distantes. Hoje, uma tragédia ocorrida no outro lado do planeta chega ao nosso celular em poucos segundos.

O recente caso do Nepal é um exemplo dramático. O país enfrentou uma situação de grande destruição associada a fenômenos naturais na região do Himalaia, envolvendo gelo, rochas, deslizamentos e inundações repentinas. Equipes de resgate precisaram enfrentar enormes dificuldades para localizar vítimas e alcançar comunidades afetadas. O episódio também chama a atenção para a vulnerabilidade de regiões montanhosas diante das transformações ambientais e climáticas.

Ao mesmo tempo, terremotos de diferentes magnitudes continu
am sendo registrados em diversas partes do planeta. É importante, porém, não transformar a sucessão de notícias em uma conclusão de que a Terra esteja necessariamente entrando em uma fase de maior atividade sísmica. Os terremotos são fenômenos naturais relacionados principalmente à dinâmica das placas tectônicas. O que mudou radicalmente foi nossa capacidade de detectá-los e, principalmente, de acompanhá-los praticamente em tempo real.

E essa mudança tecnológica produz uma consequência que merece atenção: o desastre deixou de ser apenas geográfico e passou também a ser psicológico.

Antigamente, uma catástrofe ocorrida a milhares de quilômetros chegava até nós como uma notícia. Hoje, recebemos imagens, vídeos, relatos de sobreviventes, números de mortos e desaparecidos e cenas de destruição diretamente em nossos telefones. Muitas vezes, acompanhamos o sofrimento humano quase no mesmo instante em que ele acontece.

O cérebro humano, entretanto, não foi preparado para processar diariamente o sofrimento de milhões de pessoas em tempo real. A exposição constante pode produzir medo, ansiedade, tristeza e uma sensação permanente de insegurança. Mesmo estando fisicamente distante de uma tragédia, podemos sentir como se ela estivesse acontecendo ao nosso lado.

É preciso, portanto, aprender a conviver com a informação sem permitir que ela domine nossa vida.

Outro problema é a velocidade com que informações não verificadas circulam durante as tragédias. Números incorretos, imagens antigas, vídeos fora de contexto e teorias sem fundamento podem espalhar medo e confusão. Em momentos de emergência, uma informação falsa pode provocar comportamentos perigosos.

Por isso, precisamos desenvolver uma verdadeira responsabilidade digital. Antes de compartilhar uma notícia, devemos verificar sua origem, data e confirmação por fontes confiáveis. A rapidez da comunicação não pode ser mais importante do que a verdade.

Mas como o ser humano pode lidar com um mundo aparentemente cada vez mais ameaçado por catástrofes?

A primeira resposta não deve ser o medo, mas a preparação.

Governos, empresas, escolas e famílias precisam conhecer os riscos existentes em suas regiões, estabelecer planos de emergência, definir rotas de saída, manter sistemas de comunicação e preparar as comunidades para agir diante de situações críticas. A prevenção e os sistemas de alerta podem salvar milhares de vidas.

Preparar-se para uma emergência não significa acreditar que uma tragédia necessariamente acontecerá. Significa reconhecer que vivemos em um planeta dinâmico e que a prevenção é uma forma de responsabilidade.

Também precisamos aprender a cuidar da nossa saúde emocional diante da avalanche de notícias.

É importante estar informado, mas não é saudável viver permanentemente conectado às tragédias do mundo. Precisamos estabelecer limites para o consumo de notícias, especialmente de imagens violentas e situações de sofrimento. Ter solidariedade não significa carregar emocionalmente todas as dores do planeta.

É necessário recuperar espaços de silêncio, convivência, contato com a natureza, diálogo e presença. A tecnologia deve servir ao ser humano, e não transformar sua existência em uma sucessão interminável de alertas e tragédias.

Nesse contexto, a palavra que talvez melhor defina o futuro seja resiliência.

Uma sociedade resiliente não é aquela que acredita estar protegida de todos os perigos. É aquela que reconhece sua vulnerabilidade e se prepara para enfrentar as adversidades. Uma cidade resiliente é aquela que planeja suas construções, protege suas áreas de risco, possui sistemas de alerta e consegue reconstruir-se depois de uma tragédia.

O mesmo princípio vale para cada indivíduo. Resiliência significa desenvolver conhecimento, equilíbrio emocional, capacidade de adaptação e solidariedade.

Os acontecimentos no Nepal e os terremotos registrados em diferentes regiões do planeta nos lembram de uma verdade fundamental: a humanidade não controla a dinâmica da Terra.

Não podemos impedir que um terremoto aconteça, que uma montanha desabe ou que um rio transborde. Entretanto, podemos reduzir seus impactos. Podemos planejar melhor nossas cidades, preservar o meio ambiente, investir em ciência, melhorar os sistemas de alerta, preparar as comunidades e combater a desinformação.

Mais do que nunca, precisamos substituir o sentimento de impotência pelo espírito de preparação.

O futuro não precisa ser uma profecia de catástrofes. Ele pode ser uma oportunidade para construirmos uma humanidade mais consciente, solidária e preparada.

A Terra continuará sendo dinâmica. O que precisamos construir é a capacidade humana de conviver com essa realidade.

A verdadeira estabilidade do planeta talvez não esteja em impedir que a Terra se mova, mas em preparar a humanidade para quando ela se mover.

E essa responsabilidade não pertence apenas aos governos ou à ciência.

Pertence a cada um de nós.

 

 Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

 

PLANETA DOS MACACOS - A FICÇÃO QUE NOS FAZ PENSAR SOBRE O FUTURO DA HUMANIDADE

 Existem filmes que ultrapassam o entretenimento e permanecem como instrumentos de reflexão. “Planeta dos Macacos” é um deles. Desde sua primeira versão, em 1968, a obra apresenta uma sociedade na qual os seres humanos perderam sua posição dominante e os macacos passaram a controlar o planeta. Por trás da ficção científica existe, porém, uma pergunta profundamente humana: o que poderá acontecer conosco se não formos capazes de controlar nossas próprias escolhas?

A história surgiu em um período marcado por guerras, conflitos políticos, desigualdades e medo de uma destruição nuclear. Por isso, os filmes nunca falaram apenas de macacos. Falaram de poder, intolerância, ciência, preconceito, violência e da dificuldade do ser humano em aprender com seus próprios erros.

Quase seis décadas depois, algumas dessas questões continuam presentes.

O mundo atual vive uma combinação de instabilidade política, conflitos internacionais, desigualdades econômicas, transformações sociais e uma revolução tecnológica sem precedentes. Países disputam influência, governos enfrentam dificuldades para responder às novas demandas sociais e a economia mundial convive com incertezas.

Ao mesmo tempo, a tecnologia avança em velocidade impressionante.

Inteligência artificial, robótica, biotecnologia, computação quântica, exploração espacial e comunicação instantânea estão modificando profundamente a maneira como trabalhamos, consumimos informações e nos relacionamos.

A grande contradição é que a humanidade nunca foi tão tecnologicamente poderosa e, ao mesmo tempo, continua enfrentando problemas que parecem antigos: guerras, pobreza, fome, intolerância, desigualdade e disputas pelo poder.

É nesse ponto que “Planeta dos Macacos” volta a fazer sentido.

O verdadeiro perigo não está nos macacos

A grande ameaça apresentada pela ficção não é necessariamente a possibilidade de os macacos dominarem os seres humanos. O alerta é sobre aquilo que os próprios seres humanos podem fazer contra sua civilização.

Quando a política transforma adversários em inimigos, quando o diálogo desaparece e quando cada grupo acredita possuir sozinho a verdade, a sociedade começa a perder a capacidade de construir soluções.

O problema não está em possuir posições políticas diferentes. A democracia depende da diversidade de ideias. O perigo surge quando deixamos de reconhecer no outro um cidadão com direito a pensar de maneira diferente.

As redes sociais aumentaram ainda mais esse problema. Informações circulam instantaneamente, mas muitas vezes somos apresentados apenas àquilo que confirma nossas próprias opiniões. O debate transforma-se em confronto e a busca pela verdade é substituída pela necessidade de vencer.

Uma sociedade que transforma todas as diferenças em guerras internas corre o risco de perder a capacidade de construir seu futuro.

A economia e a tecnologia diante de uma nova realidade

Também no campo econômico estamos diante de grandes transformações.

A tecnologia pode aumentar a produtividade, criar novas profissões e gerar oportunidades extraordinárias. Porém, pode igualmente ampliar desigualdades se seus benefícios ficarem concentrados em poucas empresas, países ou indivíduos.

A inteligência artificial representa talvez a maior transformação tecnológica deste início de século. Ela poderá substituir algumas tarefas, criar outras e modificar profissões inteiras.

Mas a questão principal não é saber se a tecnologia será capaz de fazer tudo aquilo que imaginamos.

A pergunta mais importante será:

seremos capazes de utilizar esse poder com responsabilidade?

A tecnologia não possui, sozinha, valores morais. Ela depende das escolhas de quem a desenvolve e utiliza.

Uma mesma ferramenta pode ser usada para educar, curar e facilitar a vida ou para manipular informações, aumentar desigualdades e produzir conflitos.

Portanto, o futuro da tecnologia será, antes de tudo, uma questão de responsabilidade humana.

E o Universo?

Enquanto enfrentamos nossos problemas na Terra, a humanidade começa a olhar cada vez mais para o espaço.

A exploração da Lua, os projetos para futuras missões a Marte, os novos telescópios e a descoberta de milhares de exoplanetas demonstram que nosso conhecimento sobre o Universo cresce rapidamente.

É possível imaginar que, no médio prazo, bases permanentes possam surgir na Lua e que missões humanas a Marte se torne realidade. No longo prazo, tecnologias ainda inexistentes poderão permitir viagens mais distantes e uma presença humana além da Terra.

Talvez descubramos novos recursos, novos ambientes habitáveis ou até mesmo evidências de vida fora do nosso planeta.

São possibilidades que, hoje, pertencem parcialmente ao campo da especulação, mas que mostram como o futuro pode ser muito mais extraordinário do que conseguimos imaginar.

Entretanto, existe uma condição fundamental:

antes de conquistar outros mundos, precisamos aprender a cuidar deste.

Não faria sentido utilizar a exploração espacial como fuga dos problemas que nós mesmos criamos na Terra.

A expansão da humanidade pelo Universo deveria representar uma evolução da civilização, e não simplesmente a transferência de nossos conflitos para outros lugares.

O verdadeiro “Planeta dos Macacos”

Talvez a grande mensagem da história seja que o maior perigo para a humanidade não seja uma espécie diferente assumir nosso lugar.

O verdadeiro perigo é nós mesmos destruirmos as condições que permitem nossa existência.

Guerras, intolerância, desigualdade extrema, destruição ambiental, uso irresponsável da tecnologia e falta de planejamento podem comprometer o futuro de nossa civilização.

Mas ainda existe uma escolha.

Podemos utilizar a ciência para preservar o planeta. A tecnologia para melhorar a vida. A economia para gerar oportunidades. A política para construir soluções. A educação para formar cidadãos mais conscientes. E a exploração espacial para ampliar o conhecimento e os horizontes da humanidade.

O futuro não precisa ser aquele apresentado pela ficção.

Podemos construir um mundo diferente.

Talvez, nas próximas décadas, a humanidade esteja cada vez mais integrada à inteligência artificial, à robótica e à biotecnologia. Talvez nossos descendentes caminhem na Lua ou em Marte. Talvez descubramos formas de vida em outros lugares do Universo.

Não sabemos exatamente o que acontecerá.

Mas sabemos que as decisões tomadas hoje ajudarão a determinar o mundo de amanhã.

“Planeta dos Macacos” nos apresenta uma humanidade que perdeu o controle do próprio destino.

Nós ainda temos a oportunidade de escrever uma história diferente.

Podemos continuar presos às disputas do presente ou começar a construir uma visão de futuro.

Porque, no final, talvez essa seja a principal lição da ficção científica: o futuro não está escrito. Ele é construído pelas escolhas que fazemos no presente.

E se o Universo oferece possibilidades praticamente infinitas, cabe à humanidade demonstrar que possui maturidade suficiente para explorá-las.

Antes de conquistar outros planetas, precisamos aprender a conviver em paz no nosso.

Esse talvez seja o verdadeiro desafio da nossa geração: garantir que, quando a humanidade finalmente alcançar outros mundos, ainda tenha preservado aquilo que a torna verdadeiramente humana.

  Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

20/08/2026

Por que tantas empresas estão quebrando no Brasil?

 

Economia, política, mudanças no comportamento do consumidor e a revolução digital estão produzindo uma das maiores transformações do ambiente empresarial brasileiro

Há um fenômeno preocupante acontecendo no Brasil: empresas tradicionais, algumas construídas ao longo de décadas, estão fechando suas portas, reduzindo estruturas, demitindo trabalhadores ou recorrendo à recuperação judicial. E não se trata apenas de empresas mal administradas. Em muitos casos, estamos diante da combinação de fatores econômicos, financeiros, políticos e tecnológicos que modificaram profundamente as regras do jogo empresarial.

Os números ajudam a dimensionar o problema. No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou 5.931 pedidos de recuperação judicial, o maior volume da série histórica do indicador criado em 2023. Entre o segundo trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2026, o número de recuperações judiciais cresceu 65,8%.

O caso recente das Casas Bahia tornou-se um dos símbolos dessa transformação. A companhia entrou com pedido de recuperação judicial com uma dívida reconhecida de R$ 17,3 bilhões e anunciou o fechamento de quase 300 lojas.

Mas por que isso está acontecendo?

O primeiro problema: o dinheiro ficou caro

Uma empresa pode ter bons produtos, clientes e uma marca conhecida, mas dificilmente sobrevive quando o custo do dinheiro se torna excessivamente elevado.

A Selic permanece em patamar de 14% ao ano, tornando empréstimos, financiamentos, capital de giro e renegociação de dívidas muito mais caros. Para empresas altamente endividadas, uma parcela significativa da receita deixa de financiar a operação e passa a servir simplesmente para pagar juros.

Cria-se então um círculo perigoso:

menos vendas → menor geração de caixa → necessidade de crédito → juros maiores → aumento da dívida → redução dos investimentos → perda de competitividade.

E quando esse ciclo se prolonga, até uma empresa que possui uma operação comercialmente interessante pode entrar em colapso financeiro.

O consumidor também mudou

Outro elemento fundamental é a transformação do consumidor brasileiro.

O cliente de hoje pesquisa antes de comprar. Compara preços em segundos. Consulta avaliações. Procura promoções. Compra pelo celular. Recebe produtos em casa. Utiliza marketplaces e acompanha influenciadores digitais.

A internet retirou das empresas físicas uma vantagem que durante décadas parecia quase absoluta: a proximidade geográfica com o consumidor.

Antes, uma loja precisava estar localizada em uma rua movimentada ou em um shopping para alcançar determinado público.

Hoje, uma empresa localizada em qualquer cidade pode vender para consumidores de praticamente todo o país.

Essa mudança democratizou o mercado, mas também aumentou brutalmente a concorrência.

A loja física deixou de ser suficiente

Durante décadas, o modelo empresarial brasileiro esteve baseado em uma lógica relativamente simples:

alugar ou comprar um imóvel → montar uma loja → contratar vendedores → colocar produtos nas prateleiras → esperar o consumidor.

Esse modelo funcionou durante muito tempo.

Mas o mundo mudou.

O consumidor passou a circular simultaneamente entre Instagram, WhatsApp, marketplaces, aplicativos, sites e lojas físicas.

O comércio eletrônico brasileiro continua crescendo e, em 2026, a integração entre canais físicos e digitais já é considerada essencial para o varejo.

A loja física, portanto, não desapareceu. Ela mudou de função.

Ela precisa oferecer experiência, relacionamento, confiança, demonstração do produto, atendimento especializado e integração com o ambiente digital.

Uma loja que existe apenas para vender aquilo que o consumidor pode encontrar mais barato na internet está diante de um problema estratégico.

O paradoxo da internet

A internet criou oportunidades extraordinárias para os pequenos empresários, mas também criou gigantescos concorrentes.

Uma pequena empresa pode hoje vender para o Brasil inteiro.

Por outro lado, precisa disputar a atenção do consumidor com empresas nacionais e internacionais que possuem enorme capacidade financeira, logística sofisticada, tecnologia, inteligência artificial, publicidade digital e escala.

A concorrência deixou de ser apenas entre empresas da mesma cidade.

O comércio de uma cidade passou a competir com o comércio do Brasil e, em muitos segmentos, com empresas do mundo inteiro.

Esse talvez seja um dos maiores choques enfrentados pelo comércio tradicional.

O custo da estrutura física

Existe ainda outro problema pouco discutido.

Uma empresa tradicional carrega uma estrutura pesada: aluguel, condomínio, IPTU, energia elétrica, segurança, manutenção, estoque, funcionários, mobiliário, equipamentos e tributos.

Uma operação digital pode, em determinados segmentos, funcionar com uma estrutura física muito menor.

Isso não significa que o comércio eletrônico seja barato. Ele possui custos próprios — tecnologia, marketing digital, logística, plataformas, devoluções, fretes e atendimento.

Mas a lógica econômica é diferente.

É justamente essa diferença que está obrigando muitas empresas tradicionais a reverem suas estruturas.

O fechamento de quase 300 lojas anunciado pelas Casas Bahia é um exemplo emblemático dessa transformação. Ao mesmo tempo em que reduz sua presença física, a companhia busca concentrar esforços em canais e operações considerados mais rentáveis.

O problema político e a insegurança para investir

Existe também uma dimensão política.

Empresas precisam de previsibilidade.

Investimentos importantes não são feitos pensando apenas no presente. Uma fábrica, uma loja, um centro de distribuição ou uma nova operação podem exigir milhões de reais e planejamento para dez ou vinte anos.

Quando existe percepção de instabilidade fiscal, mudanças frequentes nas regras, aumento da carga tributária, incerteza regulatória ou forte polarização política, o empresário tende a adotar uma postura defensiva.

Em vez de investir, contrata menos.

Em vez de abrir uma filial, espera.

Em vez de assumir uma dívida para crescer, preserva caixa.

Em vez de expandir, reduz custos.

A economia perde dinamismo.

E existe uma questão ainda mais importante: não podemos atribuir todos os problemas empresariais exclusivamente ao governo de plantão.

O Brasil carrega problemas estruturais há décadas: juros historicamente elevados, sistema tributário complexo, burocracia, insegurança jurídica, baixa produtividade, infraestrutura deficiente e dificuldades de acesso ao crédito.

Governos diferentes podem agravar ou amenizar essas questões, mas muitas delas ultrapassam ciclos eleitorais.

A inadimplência fecha o círculo

Não podemos esquecer que empresas vendem para pessoas.

Quando as famílias enfrentam dificuldades financeiras, o consumo diminui ou passa a ser financiado por crédito.

A inadimplência das famílias aumenta e, consequentemente, as empresas também passam a receber com maior dificuldade.

O problema se espalha pela cadeia:

família endividada → menor consumo → comércio vende menos → empresa reduz produção → fornecedores recebem menos → empregos são afetados → renda diminui → consumo cai novamente.

Projeções recentes apontam continuidade da pressão sobre a capacidade de pagamento das famílias brasileiras.

Mas há também erros empresariais

Seria injusto colocar toda a responsabilidade no cenário econômico.

Algumas empresas quebram porque demoraram para perceber que o mercado havia mudado.

Continuaram investindo em lojas quando o consumidor estava migrando para o digital.

Mantiveram estoques elevados.

Assumiram dívidas para financiar expansão.

Não acompanharam seus indicadores financeiros.

Confundiram faturamento com lucro.

E, talvez o erro mais grave, confundiram tradição com garantia de futuro.

Uma marca conhecida não significa necessariamente uma empresa preparada para o amanhã.

A história empresarial brasileira possui inúmeros exemplos de companhias que foram gigantes em determinado momento e desapareceram porque não conseguiram acompanhar as transformações do mercado.

O futuro não será físico nem digital. Será híbrido.

A grande questão não é escolher entre loja física ou internet.

É compreender que o consumidor já vive nos dois mundos.

Ele pode descobrir um produto pelo Instagram, pesquisar no Google, comparar preços em um marketplace, conversar com o vendedor pelo WhatsApp, visitar uma loja para experimentar o produto e finalmente comprar pelo celular.

O empresário que compreender essa jornada terá vantagem.

A loja física poderá funcionar como showroom, centro de experiência, ponto de retirada, assistência técnica e espaço de relacionamento.

A internet será o ambiente de descoberta, comparação, venda e relacionamento.

O futuro pertence à integração.

A inteligência artificial acelera a transformação

E ainda estamos apenas no começo.

A inteligência artificial está mudando marketing, atendimento, vendas, logística, administração, análise financeira e relacionamento com clientes.

Uma pequena empresa que utiliza adequadamente ferramentas de IA pode produzir campanhas, analisar dados, responder clientes, organizar processos e automatizar tarefas que antes exigiam equipes inteiras.

Isso significa que a tecnologia não está apenas criando novos negócios.

Ela está diminuindo a necessidade de determinadas estruturas tradicionais.

E essa transformação inevitavelmente produzirá vencedores e perdedores.

A empresa do futuro será mais leve

Talvez uma das principais lições desse momento seja a necessidade de abandonar a ideia de que uma grande empresa precisa necessariamente ter uma grande estrutura física.

O futuro empresarial provavelmente será marcado por organizações mais enxutas, tecnológicas, flexíveis e orientadas por dados.

Empresas precisarão conhecer profundamente seus clientes, controlar rigorosamente o caixa, utilizar tecnologia, desenvolver pessoas e ter capacidade de mudar rapidamente.

Não será mais suficiente perguntar:

"Quanto estamos vendendo?"

Será necessário perguntar:

"Quanto estamos ganhando, quanto custa nossa estrutura, quanto custa nosso cliente e quanto tempo conseguimos sobreviver se as vendas caírem?"

Essa mudança de mentalidade pode determinar a sobrevivência.

Não estamos apenas diante de uma crise. Estamos diante de uma mudança de era.

Talvez seja esse o ponto central.

As empresas que estão quebrando não estão necessariamente desaparecendo apenas por causa da crise econômica.

Muitas estão desaparecendo porque o mundo empresarial que as criou deixou de existir.

Os juros altos aceleram o problema.

A inflação pressiona.

A política gera incerteza.

A inadimplência reduz o consumo.

A internet modifica o comportamento do consumidor.

Os marketplaces aumentam a concorrência.

A inteligência artificial transforma a produtividade.

E as lojas físicas precisam justificar sua existência de uma maneira completamente diferente.

Por isso, a pergunta mais importante para um empresário brasileiro não deveria ser apenas:

"Como sobreviver à crise?"

Talvez seja:

"Que empresa preciso construir para sobreviver ao mundo que está nascendo?"

Essa é uma pergunta muito mais difícil.

Mas também é a pergunta que pode separar as empresas que apenas resistirão às dificuldades daquelas que conseguirão crescer no novo Brasil.

Porque crises econômicas passam.

Governos mudam.

Juros sobem e descem.

Tecnologias são substituídas.

Mas uma coisa permanece: a empresa que consegue compreender o consumidor, adaptar-se ao mercado e administrar com responsabilidade sempre terá maiores possibilidades de permanecer viva.

No Brasil de hoje, sobreviver já é um desafio.

Mas reinventar-se deixou de ser uma opção. Tornou-se uma condição para continuar existindo.

 Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

A TELA DA VIDA! DIFERENÇA ENTRE A CRIANÇA NAS DÉCADAS DE 80/90 E HOJE

 

Ser criança nunca foi uma experiência igual para todas as gerações. Cada época constrói sua própria infância, marcada pela cultura, pela tecnologia, pelos valores familiares e pela maneira como a sociedade enxerga o tempo, a educação e as relações humanas. Comparar a infância das décadas de 1980 e 1990 com a infância atual é, portanto, mais do que recordar brincadeiras antigas. É refletir sobre o quanto mudamos — e sobre aquilo que talvez tenhamos perdido pelo caminho.

Para quem viveu a infância nos anos 1980 e 1990, havia uma liberdade que hoje parece quase inimaginável. Depois da escola, a rua era uma extensão da casa. Bicicletas, bolas, carrinhos, bonecas, pipas, amarelinha, esconde-esconde e pega-pega faziam parte da rotina. As crianças saíam para brincar e, muitas vezes, só voltavam quando alguém gritava da janela ou da porta: “Está na hora de entrar!”.

Não havia necessidade de marcar previamente um encontro pelo celular. Bastava aparecer na rua. Os amigos estavam lá.

A televisão também fazia parte da infância, mas ocupava um espaço diferente. Havia horários para assistir aos desenhos, aos programas infantis e às novelas. Quando terminava o programa preferido, simplesmente não havia outra opção. Não existiam streaming, vídeos infinitos ou milhares de conteúdos disponíveis a qualquer momento.

Esperar fazia parte da vida.

Esperava-se pelo próximo capítulo, pelo programa da semana seguinte, pela visita de um amigo, pelas férias, pelo aniversário e até pelas fotografias que seriam reveladas depois de levadas para a loja. A ansiedade fazia parte da experiência, mas também ensinava, silenciosamente, a lidar com a espera.

Hoje, uma criança pode carregar no bolso um universo inteiro. Celular, tablet, videogame, plataformas de streaming, redes sociais, inteligência artificial e jogos on-line oferecem entretenimento praticamente ilimitado. A informação chega em segundos. A comunicação acontece instantaneamente. Os amigos podem estar a quilômetros de distância e, ainda assim, conversar diariamente.

É uma infância com possibilidades extraordinárias.

Mas também é uma infância cercada por estímulos.

A criança contemporânea é exposta a uma quantidade de informações que nenhuma geração anterior conheceu tão cedo. Imagens, sons, vídeos, notificações, jogos, publicidade e conteúdos produzidos especialmente para prender sua atenção disputam permanentemente seus olhos e sua mente.

Nas décadas de 1980 e 1990, o tédio era comum. E talvez esse seja um dos grandes contrastes entre as duas épocas.

Quando não havia nada para fazer, a criança precisava inventar alguma coisa. Uma caixa de papelão podia virar uma casa. Um pedaço de madeira podia transformar-se em espada. Um lençol podia virar uma cabana. O quintal podia ser uma floresta, um estádio ou um planeta desconhecido.

O imaginário precisava trabalhar.

Hoje, muitas vezes, basta tocar na tela.

Isso não significa que a infância atual seja pior. Seria injusto romantizar o passado. As crianças de décadas anteriores também enfrentavam dificuldades. Havia menos acesso à informação, menos recursos educacionais e tecnológicos e, em muitas famílias, maior ausência dos adultos devido às exigências do trabalho. Nem tudo era idílico.

A diferença é que os riscos eram outros.

A criança que brincava na rua estava mais exposta aos perigos físicos, enquanto a criança de hoje pode estar protegida dentro de casa e, ao mesmo tempo, exposta a riscos virtuais, excesso de informação, comparação social e relações digitais que os adultos nem sempre conseguem acompanhar.

Também mudou a relação com os pais.

Nas décadas de 1980 e 1990, era comum uma educação mais baseada em regras claras e autoridade. “Porque eu sou seu pai” ou “porque eu sou sua mãe” muitas vezes era uma explicação suficiente. Hoje, felizmente, avançamos em muitos aspectos da educação, valorizando mais o diálogo, a escuta e o respeito à individualidade da criança.

Mas esse avanço também trouxe novos desafios.

Pais e mães vivem uma rotina acelerada, muitas vezes divididos entre trabalho, responsabilidades domésticas e preocupações financeiras. E, paradoxalmente, em uma época em que temos mais ferramentas para nos comunicar, podemos ter menos tempo para simplesmente estar juntos.

Talvez essa seja uma das maiores questões da infância contemporânea: a presença física nem sempre significa presença emocional.

Uma criança pode estar sentada ao lado dos pais enquanto todos olham para suas próprias telas.

Na infância de antigamente, a mesa de jantar, a conversa na calçada, a visita à casa dos avós e as brincadeiras coletivas eram oportunidades naturais de convivência. Hoje, essas experiências precisam ser protegidas e, muitas vezes, planejadas.

Há ainda outra diferença importante: a relação com o tempo.

A criança dos anos 1980 e 1990 aprendia naturalmente que algumas coisas demoravam. O mundo tinha um ritmo mais lento. Hoje, estamos acostumados à velocidade. Queremos respostas imediatas, entregas rápidas, entretenimento instantâneo e comunicação em tempo real.

E as crianças aprendem esse comportamento desde muito cedo.

Talvez o grande desafio dos adultos seja ensinar que nem tudo precisa acontecer imediatamente.

Ensinar uma criança a esperar, ouvir, observar, brincar, conversar, caminhar, criar e até ficar entediada pode ser tão importante quanto ensiná-la a utilizar a tecnologia.

Porque tecnologia não é inimiga da infância.

O problema começa quando ela ocupa o espaço que deveria pertencer à experiência humana.

Uma criança precisa conhecer o mundo digital, mas também precisa conhecer a terra. Precisa aprender a pesquisar na internet, mas também precisa aprender a conversar olhando nos olhos. Precisa jogar videogame, mas também precisa correr. Precisa assistir a desenhos, mas também precisa inventar suas próprias histórias.

Precisa saber usar uma tela — sem permitir que a tela use seu tempo.

Talvez a melhor infância possível esteja justamente no equilíbrio entre esses dois mundos.

Podemos oferecer às crianças de hoje tudo aquilo que a tecnologia proporciona sem abandonar aquilo que havia de melhor nas décadas passadas: o contato com a natureza, a convivência, a criatividade, a simplicidade, a liberdade responsável e a capacidade de transformar pouco em muito.

Quem viveu os anos 1980 e 1990 talvez carregue consigo uma saudade que não é apenas das brincadeiras. É saudade de um tempo em que a vida parecia ter mais espaço entre uma coisa e outra.

Mas o objetivo não deve ser voltar ao passado.

Devemos aprender com ele.

A infância de hoje precisa da tecnologia, mas também precisa de quintais. Precisa de informação, mas também de silêncio. Precisa de conexão digital, mas sobretudo de vínculos verdadeiros. Precisa de brinquedos sofisticados, mas não pode perder a capacidade de transformar um simples pedaço de papel em uma aventura.

No fundo, talvez a maior diferença entre ser criança ontem e ser criança hoje não esteja nos brinquedos, nos celulares ou nos videogames.

Esteja na quantidade de tempo que a criança ainda consegue ter para simplesmente ser criança.

E essa responsabilidade não é dela.

É nossa.

Porque uma infância saudável não se constrói apenas com aquilo que damos às crianças. Constrói-se, principalmente, com o tempo que decidimos compartilhar com elas.

No futuro, quando as crianças de hoje forem adultas, talvez sintam saudade de alguma coisa que ainda nem sabem nomear.

Cabe a nós garantir que, entre tantas telas, notificações e tecnologias, elas também tenham boas lembranças para guardar.

 Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

13/08/2026

QUANDO A TERRA TREME, NOSSO INTERIOR TAMBÉM SE ABALA, ONDE QUER QUE ESTEJAMOS!

 Há acontecimentos que ultrapassam fronteiras. Não precisam acontecer diante dos nossos olhos para nos atingir. Um terremoto que destrói cidades, separa famílias e transforma casas em escombros produz uma espécie de eco que atravessa quilômetros e chega até aqueles que apenas acompanham as imagens pela televisão ou pelas redes sociais.

Os recentes terremotos registrados em diferentes regiões do planeta, entre eles o devastador tremor de magnitude 7,4 que atingiu o oeste da Colômbia em 10 de agosto de 2026, recolocam diante da humanidade uma pergunta que talvez seja maior do que a própria tragédia: o que acontece dentro de nós quando percebemos que a Terra, o lugar que imaginamos ser nosso espaço de segurança, pode deixar de ser estável? O terremoto colombiano provocou mortes, destruição e milhares de pessoas afetadas, enquanto o temor de novos tremores e réplicas ampliou a sensação de insegurança.

 A primeira resposta é física. A segunda, porém, é psicológica.

Para quem está no epicentro de uma catástrofe, o mundo pode mudar em poucos segundos. A casa deixa de ser abrigo. A rua deixa de parecer segura. O chão, que sempre foi sinônimo de estabilidade, passa a ser percebido como uma ameaça. O cérebro humano, diante de uma situação dessa natureza, entra em estado de alerta. Medo, ansiedade, confusão, insônia, irritabilidade, sensação de impotência e necessidade permanente de vigilância podem aparecer.

A Organização Mundial da Saúde observa que praticamente todas as pessoas expostas a emergências experimentam algum grau de sofrimento psicológico, embora, para a maioria, esse sofrimento diminua com o tempo. Em uma parcela das pessoas, entretanto, podem surgir quadros mais persistentes, como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático.

Mas existe uma dimensão ainda mais silenciosa.

Nós também somos afetados por aquilo que não vivemos diretamente.

Hoje, a tragédia chega até nós em tempo real. Vemos prédios desabando, pessoas chorando, crianças procurando familiares, ruas destruídas, equipes de resgate trabalhando entre escombros. A tecnologia diminuiu a distância física entre os acontecimentos e nossas emoções.

Antigamente, uma pessoa poderia ouvir falar de um terremoto ocorrido do outro lado do mundo dias depois. Hoje, ela pode assistir ao momento da destruição enquanto ele acontece.

Essa exposição permanente produz uma espécie de contaminação emocional global.

Não significa que todos desenvolverão uma doença psicológica. Seria incorreto afirmar isso. Mas o contato repetido com imagens de catástrofes pode alimentar sentimentos de vulnerabilidade, medo e insegurança, especialmente em pessoas que já apresentam ansiedade ou que passaram anteriormente por experiências traumáticas.

O fenômeno psicológico é interessante: quando vemos alguém perder sua casa, nossa mente consegue imaginar a possibilidade de perder a nossa. Quando vemos uma família procurando um desaparecido, pensamos na nossa própria família. Quando vemos o chão se abrir, percebemos que aquilo que considerávamos permanente pode, em determinadas circunstâncias, desaparecer em segundos.

O terremoto, portanto, não destrói apenas edifícios.

Ele abala certezas.

E talvez seja essa uma das suas consequências psicológicas mais profundas.

Vivemos em uma sociedade que construiu uma enorme sensação de controle. Planejamos nossas agendas, nossas carreiras, nossas finanças, nossas viagens, nossas casas e nossos projetos. A ciência e a tecnologia nos oferecem previsões, mapas, sistemas de monitoramento e mecanismos de proteção.

Mas o terremoto nos lembra de uma verdade incômoda: há forças da natureza que ainda não conseguimos controlar nem prever com precisão suficiente para impedir que aconteçam.

Essa constatação pode provocar ansiedade existencial.

É como se, por alguns instantes, a humanidade fosse obrigada a reconhecer sua própria fragilidade.

E essa fragilidade não é apenas individual. É coletiva.

Um terremoto pode provocar deslocamentos populacionais, perda de emprego, interrupção de serviços, separação de famílias, dificuldades econômicas e ruptura das relações comunitárias. A própria Organização Mundial da Saúde destaca que os terremotos produzem impactos que vão muito além das mortes e dos ferimentos imediatos, podendo interromper serviços de saúde, transporte, tratamento de doenças crônicas e outros sistemas essenciais.

Por isso, o trauma não termina quando os escombros são retirados.

Muitas vezes, começa justamente quando as câmeras deixam de mostrar a tragédia.

Depois da emergência vem o silêncio. É nesse momento que algumas pessoas precisam reconstruir não apenas uma casa, mas uma vida. Há quem passe a dormir com medo. Há quem não consiga entrar novamente em um edifício. Há quem sinta qualquer vibração como sinal de um novo terremoto. Há quem desenvolva medo de ficar sozinho.

E existe ainda o luto.

Perder uma pessoa querida em uma catástrofe natural produz uma dor que pode ser agravada pela violência e pela rapidez da perda. Estudos reunidos pela própria Organização Mundial da Saúde mostram que experiências como ficar preso sob escombros, sofrer perdas familiares e ter a propriedade severamente danificada estão associadas a maior ocorrência de sintomas de estresse pós-traumático em populações afetadas por terremotos.

Mas talvez devêssemos olhar para esses acontecimentos também por outro ângulo.

O terremoto revela a capacidade humana de reconstruir.

Em meio à destruição aparecem voluntários, bombeiros, médicos, vizinhos, desconhecidos carregando pessoas, comunidades compartilhando alimentos e famílias abrindo suas portas. A catástrofe pode revelar o pior do medo, mas também pode revelar o melhor da solidariedade.

Essa dimensão é fundamental para a saúde psicológica.

O ser humano precisa sentir que não está sozinho diante da ameaça.

Família, amigos, comunidade e redes de apoio são fatores importantes na recuperação após experiências traumáticas. A OMS ressalta que sentir-se apoiado por outras pessoas pode reduzir o risco de desenvolvimento de transtorno de estresse pós-traumático.

Talvez esteja aí uma das maiores lições dos terremotos.

Eles nos lembram que nossa verdadeira segurança não está apenas nas paredes que construímos, mas também nas relações que estabelecemos.

Uma parede pode cair. Uma ponte pode ruir. Uma rua pode desaparecer. Mas uma comunidade solidária pode ajudar a reconstruir.

 

E há uma consequência psicológica ainda mais ampla para todos nós: a necessidade de repensar nossa relação com a informação.

Vivemos submetidos a uma sucessão quase interminável de tragédias. Terremotos, guerras, enchentes, incêndios, pandemias, acidentes e crises políticas chegam diariamente às telas. A mente humana, porém, não foi necessariamente preparada para processar tantas situações de ameaça simultaneamente.

É preciso aprender a acompanhar o mundo sem permitir que o mundo invada permanentemente nossa intimidade emocional.

Informar-se é necessário.

Viver em estado permanente de medo, não.

Isso exige equilíbrio. Exige compreender que solidariedade não significa carregar todas as dores do planeta dentro de nós. Podemos nos comover sem adoecer. Podemos ajudar sem nos destruir emocionalmente. Podemos acompanhar uma tragédia sem transformar a possibilidade da tragédia em uma certeza permanente dentro da nossa cabeça.

Os terremotos também deveriam provocar uma reflexão sobre prevenção.

A força da natureza não pode ser impedida, mas suas consequências podem ser reduzidas. Engenharia, planejamento urbano, códigos de construção, sistemas de alerta, educação da população e preparação das equipes de emergência fazem enorme diferença. Análises recentes sobre o terremoto colombiano reforçam que infraestrutura adequada, cumprimento de normas sísmicas e planejamento podem reduzir significativamente as perdas.

Preparar-se, portanto, também é uma forma de cuidar da saúde mental.

Porque conhecimento diminui a sensação de impotência.

Saber o que fazer durante um terremoto, conhecer as rotas de saída, confiar nas estruturas e saber onde procurar ajuda não elimina o medo, mas transforma o medo desorganizado em atenção consciente.

Talvez essa seja a grande reflexão que os terremotos oferecem à humanidade.

A Terra continuará se movimentando.

Nós continuaremos sendo pequenos diante das forças naturais.

Mas podemos escolher como responder àquilo que não controlamos.

Podemos responder com pânico ou preparação.

Com isolamento ou solidariedade. Com desinformação ou conhecimento. Com medo permanente ou consciência.

Quando a Terra treme, descobrimos que não somos tão fortes quanto imaginávamos. Mas também descobrimos algo extraordinário: somos capazes de reconstruir aquilo que desmoronou e, principalmente, de reconstruir uns aos outros.

Talvez seja essa a verdadeira força humana. Não a capacidade de impedir que o chão trema. Mas a capacidade de permanecer de pé depois que ele volta a ficar quieto.

 

Até a próxima semana!

 

Vitor Marques

Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista, Terapeuta Radiestésico e Cromoterapeuta

 

05/08/2026

A ESSÊNCIA DA VIDA

 A vida tem um curioso hábito de nos ensinar baixinho.

Quando somos jovens, acreditamos que ela mora na velocidade dos dias, na ansiedade das conquistas, na urgência de chegar primeiro. Corremos atrás de diplomas, de cargos, de aplausos, de certezas. E, sem perceber, confundimos o caminho com a linha de chegada.

 Mas o tempo... Ah, o tempo é um mestre paciente.

Ele vai retirando de nossos ombros o peso daquilo que nunca foi essencial. Vai nos mostrando que algumas vitórias fazem muito barulho e pouco sentido, enquanto certos gestos silenciosos carregam a eternidade dentro de si.

Há uma manhã em que acordamos diferentes. Não porque o mundo tenha mudado, mas porque os nossos olhos aprenderam a enxergar.

 Descobrimos que a vida não é uma coleção de dias, mas um jardim de instantes. E que cada instante floresce ou murcha conforme a qualidade da nossa presença.

 Os objetivos continuam importantes. São como estrelas que orientam o viajante durante a noite. Sem elas, caminhamos sem direção. Mas existe uma diferença delicada entre perseguir um objetivo e encontrar um sentido.

 O objetivo aponta para um lugar.

O sentido transforma quem caminha.

 Talvez a verdadeira maturidade comece quando deixamos de perguntar quanto ainda falta para chegar e passamos a agradecer pela beleza da estrada. Quando compreendemos que crescer não é possuir mais, mas precisar de menos. Que a maior riqueza não cabe numa conta bancária, mas repousa tranquila na consciência de quem viveu com honestidade, ofereceu afeto sem medida e espalhou esperança por onde passou.

 A essência da vida talvez seja exatamente isso: aprender que somos passageiros, mas que o amor que deixamos pode permanecer muito depois da nossa partida.

 No fim, ninguém será lembrado pela pressa com que viveu.

Seremos lembrados pela paz que levávamos conosco, pelas mãos que estendemos, pelas palavras que confortaram e pela luz discreta que deixamos acesa na vida de alguém.

E talvez seja esse o mais bonito sentido da existência: passar pelo mundo sem fazer dele um lugar mais pesado, mas um pouco mais humano.

 Porque viver não é apenas atravessar o tempo.

É fazer com que o tempo, ao atravessar por nós, nos transforme em pessoas melhores.

VIVA BEM!

Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

 

31/07/2026

LANÇAMENTO LIVRO INFANTIL "A MINHOQUINHA QUE VIU O SOL""

 

E se uma pequena minhoca pudesse ensinar uma grande lição sobre coragem, natureza e o poder de cada ser vivo?

Pituca é uma minhoquinha curiosa que vive feliz em seu mundo subterrâneo, onde aprende com sua família que até os menores habitantes da terra desempenham um papel essencial para a vida das plantas e de todo o planeta.

Mas um acontecimento inesperado muda completamente sua rotina: arrancada de seu lar, ela conhece pela primeira vez a luz do sol, o vento, os pássaros e a imensidão do mundo que existe acima da terra. Assustada, descobre que o desconhecido pode esconder perigos... mas também pessoas capazes de cuidar, proteger e fazer a diferença.

Quando uma forte tempestade coloca novamente sua coragem à prova, Pituca compreende que a natureza e os seres humanos podem caminhar juntos na construção de um mundo mais equilibrado.

Escrito com sensibilidade, delicadeza e uma linguagem envolvente, "Pituca – A Minhoquinha que Viu o Sol" é uma encantadora história infantil sobre amizade, preservação ambiental, empatia, respeito à vida e superação dos medos.

Uma obra que diverte, emociona e desperta nas crianças a consciência de que cada pequeno gesto de cuidado com a natureza ajuda a construir um futuro melhor.

Porque, às vezes, os maiores ensinamentos vêm dos menores seres.

Indicado para crianças, famílias, educadores e escolas que acreditam que aprender pode ser uma aventura cheia de imaginação, afeto e descobertas.


AQUISIÇÃO NO SITE DA UICLAP - editora



UM PLANETA EM ALERTA - COMO VIVER DIANTE DAS CATÁSTROFES?

Vivemos uma época paradoxal. Nunca o ser humano dispôs de tantos recursos tecnológicos para monitorar, compreender e prevenir catástrofes e,...