21/10/2026

QUANDO A VIDA APERTA, O PENSAMENTO PODE AJUDAR A ABRIR CAMINHOS

 

Tem dias em que parece que tudo resolveu acontecer ao mesmo tempo.

O despertador toca e já estamos cansados. O trânsito está parado, o celular não para de receber mensagens, uma conta venceu, o chefe cobrou aquele trabalho, alguém da família está precisando de atenção e, para completar, aquela notícia que esperávamos não chegou.

É a vida como ela é.

Não existe manual de instruções para atravessar os dias difíceis. Todos nós, em algum momento, enfrentamos problemas que não estavam nos nossos planos. E talvez uma das poucas coisas que podemos escolher seja a maneira como vamos olhar para aquilo que está acontecendo.

É aí que entra o pensamento positivo.

Não estou falando daquele otimismo exagerado que manda "pensar positivo" quando alguém está passando por um problema sério. Isso pode até ser irritante. Quem perdeu o emprego não precisa ouvir simplesmente que "vai dar tudo certo". Quem perdeu alguém querido precisa primeiro de acolhimento, não de frases prontas.

Pensamento positivo é algo mais simples e mais possível.

É acordar depois de uma noite mal dormida e pensar: "Hoje não estou no meu melhor, mas vou fazer o que estiver ao meu alcance."

É receber uma conta maior do que esperava e, em vez de entrar em desespero, sentar, fazer as contas e procurar uma solução.

É ouvir uma crítica no trabalho e perguntar se existe alguma coisa que possa ser aprendida com aquilo.

É discutir com alguém que amamos e, depois da raiva passar, ter a humildade de procurar uma conversa.

É envelhecer e perceber que talvez o corpo já não acompanhe alguns desejos da mesma maneira, mas que ainda existem experiências, pessoas, lugares e sonhos esperando por nós.

É perder um projeto e compreender que um projeto fracassado não significa que nós fracassamos.

Parece pouco. Mas não é.

Nossa cabeça participa diariamente da maneira como enfrentamos os acontecimentos. Se repetimos o tempo todo que nada vai dar certo, que ninguém presta, que tudo está perdido e que não temos mais saída, acabamos construindo uma espécie de prisão dentro de nós mesmos.

Quando conseguimos olhar para a mesma realidade procurando possibilidades, o problema continua existindo, mas nossa relação com ele muda.

E isso pode fazer muita diferença.

Imagine uma pessoa que está procurando emprego. Ela pode passar o dia repetindo: "ninguém vai me contratar, estou velho demais, não tenho oportunidade". Ou pode reconhecer a dificuldade e começar a agir: atualizar o currículo, conversar com antigos colegas, aprender alguma coisa nova, procurar empresas, pedir indicações.

A situação não mudou imediatamente.

Mas mudou a atitude diante dela.

O mesmo acontece dentro de casa. Às vezes, uma família passa semanas convivendo com pequenas irritações: a televisão ligada demais, a louça na pia, alguém que não ajudou, outro que chegou tarde. São coisas pequenas que, acumuladas, transformam a casa em um campo de batalha.

Talvez seja necessário, em determinado momento, alguém respirar fundo e dizer:

"Vamos parar de procurar quem está errado e tentar descobrir como podemos ficar bem."

Pensamento positivo também pode ser isso.

Não significa deixar de reclamar quando algo está errado. Não significa aceitar injustiças. Não significa fingir que problemas não existem.

Significa não permitir que cada problema transforme nossa vida inteira em um problema.

Há pessoas que enfrentam dificuldades enormes e ainda conseguem encontrar motivos para agradecer. Não porque tenham uma vida perfeita, mas porque aprenderam a perceber aquilo que continua existindo apesar das dificuldades.

Um café tomado tranquilamente pela manhã.

Uma conversa com um amigo.

O abraço de um filho. A mensagem de um neto. Uma caminhada. O sol entrando pela janela. Uma árvore florescendo no quintal. A oportunidade de começar novamente.

Talvez felicidade não seja ter todos os problemas resolvidos. Talvez seja também aprender a reconhecer os pequenos momentos bons enquanto resolvemos os problemas que precisam ser resolvidos.

A vida cotidiana é feita dessas pequenas batalhas.

Às vezes vencemos. Às vezes perdemos. Em algumas manhãs acordamos cheios de energia; em outras, precisamos de um pouco mais de tempo para encontrar forças.

E tudo bem.

Não precisamos ser positivos o tempo inteiro. Precisamos apenas tomar cuidado para que os pensamentos negativos não se transformem na nossa única maneira de enxergar a vida.

Porque uma dificuldade pode ocupar uma parte do nosso dia sem ocupar toda a nossa existência.

Uma porta fechada pode fazer parte da nossa história sem determinar o seu final.

Um dia ruim continua sendo apenas um dia ruim.

Amanhã pode haver outra oportunidade.

Talvez seja essa a verdadeira força do pensamento positivo: não mudar imediatamente aquilo que acontece fora de nós, mas mudar a disposição com que enfrentamos aquilo que a vida coloca diante de nós.

E, no cotidiano, isso já pode representar uma grande diferença.

Afinal, não escolhemos todas as cartas que a vida coloca em nossas mãos.

Mas podemos escolher, dentro das possibilidades que temos, como vamos jogar a próxima rodada

 Vitor Marques é Executivo de RH, Jornalista, Escritor e Consultor de Empresas

Blog www.vitormsmarques.blogspot.com

 

NOVEMBRO, O MÊS EM QUE APRENDEMOS A ACENDER A LUZ DENTRO DE NÓS

 Há meses que chegam com o sol. Outros chegam com a saudade. Novembro pertence, talvez, aos dois. As folhas desprendem-se das árvores, os dias encolhem, as tardes vestem-se de cinzento e há uma espécie de silêncio que se instala nas ruas, nas casas e, por vezes, dentro de nós. É como se a própria natureza nos convidasse a abrandar, a olhar para trás e a pensar naquilo que andamos a fazer com o tempo que nos foi concedido.

Vivemos demasiado depressa. Corremos para chegar a horas, trabalhamos para cumprir objectivos, consultamos o telemóvel dezenas de vezes por dia e respondemos a mensagens enquanto a vida acontece mesmo à nossa frente. Estamos permanentemente ligados, mas será que estamos verdadeiramente próximos?

Nunca tivemos tantas possibilidades de comunicar e, ainda assim, há quem passe dias inteiros sem ouvir uma palavra de carinho, sem receber uma visita inesperada ou sem encontrar alguém disposto a escutar, com tempo e atenção, aquilo que lhe vai na alma.

A solidão tornou-se uma das grandes inquietações do nosso tempo. Não escolhe idade, condição social ou lugar de residência. Pode morar numa aldeia quase esquecida, num bairro movimentado ou num apartamento onde vivem pessoas que, apesar de partilharem o mesmo espaço, já pouco partilham da vida umas das outras. Em Portugal, o isolamento dos mais velhos continua a merecer uma atenção particular, lembrando-nos de que envelhecer com dignidade também significa continuar a sentir-se necessário, ouvido e amado.

Talvez seja este um dos maiores desafios da sociedade contemporânea: voltar a reconhecer a importância da presença humana.

Não precisamos de grandes discursos para transformar o dia de alguém. Por vezes, basta tocar à porta de um vizinho, telefonar àquele amigo de quem não temos notícias há semanas, visitar um familiar que vive sozinho ou perguntar a um colega de trabalho se está tudo bem — e esperar verdadeiramente pela resposta.

São gestos pequenos, quase invisíveis, que não aparecem nas estatísticas do crescimento económico, não fazem subir os índices de produtividade nem conquistam títulos nos jornais. Mas podem mudar o dia de uma pessoa. E, em determinadas circunstâncias, podem devolver-lhe a vontade de continuar.

Também nós precisamos de aprender a cuidar de nós próprios. A reconhecer o cansaço, a aceitar que nem sempre conseguimos resolver tudo e a compreender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Há momentos em que a maior demonstração de coragem consiste simplesmente em admitir que precisamos de alguém.

Novembro recorda-nos ainda aqueles que partiram. O Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados trazem à memória rostos, vozes, abraços e histórias que o tempo não conseguiu apagar. A ausência ensina-nos, tantas vezes de forma dolorosa, que as pessoas não são eternas, mas aquilo que nos deixam pode acompanhar-nos durante toda a vida.

É por isso que não devemos adiar os afectos. Não devemos guardar para amanhã o abraço que podemos dar hoje, a palavra de gratidão que ainda não dissemos ou o perdão que teimamos em manter prisioneiro do orgulho.

A vida não nos garante que teremos outra oportunidade.

E talvez seja precisamente aqui que reside a mensagem mais importante deste mês: apesar das perdas, das dificuldades e das incertezas, continuamos a ter a possibilidade de escolher a forma como queremos viver.

Não escolhemos todas as circunstâncias que nos acontecem. Não controlamos as decisões dos outros, as mudanças do mundo ou os imprevistos que nos obrigam a alterar os nossos planos. Mas podemos escolher não responder à indiferença com mais indiferença, não alimentar o ódio quando podemos promover o diálogo e não desistir da esperança apenas porque os caminhos se tornaram mais difíceis.

A esperança não é a convicção ingénua de que tudo correrá bem. É a capacidade de acreditar que, mesmo quando as coisas não correm como desejamos, ainda podemos fazer alguma coisa para as melhorar.

É levantar-nos depois de uma queda. É recomeçar quando julgávamos ter chegado ao fim. É aceitar que os anos passam, que o corpo muda e que os sonhos também podem ganhar novas formas. É perceber que nunca somos demasiado velhos para aprender, demasiado cansados para amar ou demasiado pequenos para fazer a diferença.

Há quem espere que o mundo mude para começar a ser feliz. Há quem aguarde melhores condições, melhores notícias ou melhores dias para voltar a sorrir. Mas a vida não acontece apenas quando todas as circunstâncias são favoráveis. A vida acontece agora, neste instante imperfeito que tantas vezes desperdiçamos à espera de um futuro ideal.

Por isso, neste novembro, proponho um exercício simples: acendamos uma luz.

Não uma luz eléctrica para afastar a escuridão das tardes, mas uma luz interior, feita de consciência, generosidade, coragem e vontade de continuar.

Que essa luz nos ajude a olhar para os outros sem preconceitos, a escutar antes de julgar, a valorizar quem caminha ao nosso lado e a reconhecer que cada pessoa transporta consigo batalhas que nem sempre conseguimos ver.

Que nos ensine a dar mais valor ao tempo do que às coisas, à amizade do que à aparência e à paz do que à necessidade de ter sempre razão.

E que nos lembre-se de que uma sociedade melhor não se constrói apenas com grandes decisões políticas ou avanços tecnológicos. Constrói-se também nas famílias, nas escolas, nos locais de trabalho, nas associações, nas comunidades e em cada gesto de respeito pela dignidade humana.

Quando novembro terminar, o calendário avançará para dezembro e as luzes de Natal começarão a iluminar as nossas ruas. Mas não precisamos de esperar pelo Natal para sermos mais solidários, nem de esperar pelo Ano Novo para mudar aquilo que sabemos estar errado.

Podemos começar hoje.

Porque o verdadeiro recomeço não depende da mudança de um mês, de um ano ou de uma estação. Depende da nossa disponibilidade para olhar a vida com outros olhos e fazer diferente aquilo que está ao nosso alcance.

Afinal, talvez a maior lição de novembro seja esta: quando o mundo parece escurecer, não devemos limitar-nos a lamentar a falta de luz. Devemos procurar dentro de nós a coragem para acender a primeira chama.

E depois, com humildade e esperança, partilhá-la com os outros.

Porque nenhuma noite dura para sempre. E porque, enquanto houver alguém disposto a cuidar, a acreditar e a recomeçar, haverá sempre uma razão para esperar pelo amanhã.

 

Vitor Manuel Simões Marques

Executivo de RH, palestrante, escritor e jornalista

Campinas / SP – Brasil _ (Neto de Serpins – Filho de Portugal)

e-mail: vitor.marques@psmcompany.com.br

 (PUBLICADO NO JORNAL VOZ DE SERPINS - SERPINS / PORTUGAL)

Nota:

Se aproxima um momento de profundo orgulho para minha trajetória de vida, já há 20 meses aguardo o deferimento da minha cidadania portuguesa, um prazo bem longo em que todos os dias monitoro o processo junto à Justiça Portuguesa. Por vezes fico desanimado por ser filho de pai e mãe portugueses, por amar imensamente essa terra, por contribuir de diversas formas com esse pátria amada, inclusive com meus artigos aqui neste jornal, enfim, por realmente ter e fazer por ter direito a essa documentação.

Dizerm que o prazo médio dessa liberação é de 26 meses (muito grande num processo tão simples como o meu é), mas que eu saiba não tem o que fazer. Se alguém que aqui lê essa nota souber de como pode ser acelerado isso seria de bom alvitre e agradeço desde já

 

06/10/2026

O BRASIL QUE CABE EM NOSSAS MÃOS

 

Há momentos em que um país inteiro parece caber dentro de uma pequena tela. Diante de uma urna, milhões de brasileiros estarão sozinhos com a própria consciência, chamados a decidir não apenas quem governará, mas quais caminhos desejam abrir para o futuro.

Chegamos ao segundo turno. É hora de diminuir o barulho e ampliar a reflexão. Em tempos de paixões políticas, discursos inflamados e verdades fabricadas nas redes sociais, pensar com independência tornou-se um exercício de coragem.

O voto é individual, mas suas consequências pertencem a todos.

Não podemos escolher apenas por simpatia, rejeição ou conveniência. Precisamos analisar a história dos candidatos, suas propostas, suas atitudes, seus compromissos e os valores que representam. Palavras podem emocionar, promessas podem seduzir, mas é a coerência entre discurso e prática que revela o verdadeiro compromisso de quem deseja governar.

Não existe candidato perfeito. Existe, porém, a obrigação de escolher com consciência, procurando aqueles que mais se aproximam dos nossos princípios éticos e humanos.

O Brasil precisa de representantes comprometidos com o interesse público, com a dignidade das pessoas, com o trabalho e com a construção de oportunidades. Precisa de lideranças capazes de compreender que governar não é conquistar adversários, mas trabalhar por uma sociedade na qual todos tenham condições de viver com dignidade.

Nenhum partido deve ser maior do que o país. Nenhum candidato deve ser maior do que a nossa consciência.

Mas há uma questão que ultrapassa as urnas e incomoda justamente porque nos envolve diretamente: o que estamos fazendo, individualmente, para melhorar o Brasil?

É fácil exigir honestidade dos governantes. Difícil é praticá-la quando ninguém está olhando. É fácil condenar a corrupção em Brasília, mas precisamos também rejeitar as pequenas desonestidades que toleramos quando nos favorecem. Queremos justiça, mas precisamos agir com justiça. Exigimos respeito, mas devemos respeitar quem pensa diferente.

Não podemos querer um país melhor sem assumir o compromisso de sermos cidadãos melhores.

A responsabilidade pelo Brasil não pode ser terceirizada. Elegemos representantes, mas não entregamos a eles nossa consciência, nossos deveres ou nossa capacidade de transformar a realidade.

Depois da eleição, haverá a segunda-feira. O trabalhador voltará ao trabalho, o professor entrará na sala de aula, as famílias enfrentarão seus desafios e os jovens continuarão procurando oportunidades. A vida seguirá exigindo de cada um aquilo que nenhuma campanha eleitoral pode oferecer em nosso lugar: caráter, disposição e responsabilidade.

É nesse cotidiano, longe dos palanques, que a cidadania ganha sentido.

Ela aparece na honestidade de quem cumpre suas obrigações, na solidariedade de quem estende a mão, na coragem de quem denuncia o que está errado e na generosidade de quem compreende que o bem coletivo não pode depender apenas de vantagens pessoais.

O Brasil que criticamos também é o Brasil que ajudamos a construir.

E há algo ainda mais importante: nossos filhos e netos estão observando. Herdarão não apenas as condições econômicas, políticas e sociais que deixarmos, mas também os exemplos que oferecermos.


Que sociedade queremos entregar a eles? Uma sociedade dominada pelo ressentimento, pela intolerância e pela indiferença? Ou um país em que a honestidade seja respeitada, o trabalho valorizado, a educação reconhecida e as diferenças discutidas com maturidade?

O futuro das novas gerações começa nas decisões que tomamos hoje, inclusive na maneira como nos comportamos diante daqueles que discordam de nós.

Por isso, o segundo turno precisa ser mais do que uma disputa eleitoral. Deve representar uma oportunidade de amadurecimento, de avaliação e de renovação do compromisso com o país. Escolher é importante, mas acompanhar, fiscalizar e cobrar também são responsabilidades de quem leva a democracia a sério.

Democracia não é uma procuração em branco. É um compromisso permanente entre representantes e representados.

Precisamos de novos caminhos, de perspectivas que recuperem a confiança e de uma política que compreenda sua verdadeira finalidade: servir à sociedade. Isso exige competência e responsabilidade dos governantes, mas também participação e consciência dos cidadãos.

Ainda temos motivos para acreditar. Eles estão no jovem que estuda, na família que luta, no profissional que trabalha honestamente, no professor que ensina e em todos aqueles que, apesar das dificuldades, não desistiram de fazer a sua parte.

A esperança brasileira não mora apenas nos discursos. Mora nas atitudes de quem se recusa a aceitar que o errado se torne normal.

Ética para escolher. Fé para continuar. Amor para respeitar. Altruísmo para olhar além dos próprios interesses. Trabalho para transformar. Esperança para não desistir.

Esses valores não aparecem na tela da urna, mas determinam o significado das nossas escolhas.

Que façamos, portanto, uma escolha consciente neste segundo turno. Sem fanatismo, sem ódio e sem abrir mão dos princípios que orientam nossa vida. Que saibamos reconhecer virtudes, questionar erros e colocar o interesse coletivo acima das conveniências pessoais.

E que, no dia seguinte, continuemos fazendo aquilo que nos cabe.

Porque o Brasil não termina na urna. O Brasil recomeça todos os dias, nas mãos de cada cidadão.

Não podemos garantir que nossas escolhas produzirão todos os resultados que desejamos. Podemos, entretanto, assumir a responsabilidade por elas e agir com dignidade, independentemente de quem vença uma eleição.

Aos nossos filhos e netos, devemos mais do que promessas de um futuro melhor. Devemos exemplos que lhes permitam acreditar que esse futuro é possível.

Ainda podemos mudar. Ainda podemos construir. Ainda podemos fazer diferente.

O futuro não é apenas aquilo que esperamos receber. É aquilo que decidimos construir, juntos, a partir de hoje.

 Vitor Marques é Executivo de RH, Jornalista, Escritor e Consultor de Empresas

Blog www.vitormsmarques.blogspot.com

 

22/09/2026

O VOTO QUE NÃO PODEMOS DEIXAR DE DAR <> ESPECIALMENTE AOS IDOSOS COM 70 ANOS OU MAIS

 

O VOTO QUE NÃO PODEMOS DEIXAR DE DAR

ESPECIALMENTE AOS IDOSOS COM 70 ANOS OU MAIS

 

Por Vitor M S Marques

 Há momentos na história de um país em que ficar em casa também é uma escolha. E, quando chega o dia da eleição, deixar de ir à urna significa abrir mão de uma das mais importantes ferramentas que a democracia coloca nas mãos de cada cidadão: o voto.

Em 4 de outubro, o Brasil voltará às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados. Será mais uma oportunidade para cada brasileiro olhar para o país, para sua cidade, para sua família e perguntar: que Brasil queremos construir para os próximos anos?

Em cidades onde existe uma expressiva população idosa, essa pergunta ganha ainda mais significado.



São homens e mulheres que acompanharam décadas da história brasileira. Viveram diferentes governos, mudanças econômicas, crises, períodos de esperança e também momentos difíceis. Muitos trabalharam uma vida inteira, criaram filhos, ajudaram a construir suas comunidades e chegaram à terceira idade carregando uma experiência que nenhuma estatística consegue medir.

Por isso, o voto de uma pessoa idosa não é apenas mais um voto.

É também memória.

É experiência.

É responsabilidade com as próximas gerações.

A Justiça Eleitoral garante prioridade de atendimento às pessoas com 60 anos ou mais, e aquelas com mais de 80 anos têm prioridade sobre os demais eleitores, independentemente da ordem de chegada.

É importante lembrar também que, no Brasil, o voto é facultativo para quem tem mais de 70 anos. Mas facultativo não significa sem importância. Ao contrário: justamente por não existir a obrigação legal, a decisão de sair de casa e votar representa uma manifestação consciente de cidadania.

E aqui faço um apelo especialmente aos filhos, netos, sobrinhos e demais familiares.

Se seu pai, sua mãe, seu avô, sua avó ou alguém próximo tem dificuldade para chegar ao local de votação, não espere que essa pessoa peça ajuda. Ofereça.

Pergunte:

“Você quer votar? Posso levar você?”

Às vezes, uma simples carona pode representar muito mais do que um deslocamento até uma escola ou outro local de votação. Pode significar respeito pela história de quem está ao nosso lado.

Não devemos transformar a eleição em uma disputa de torcidas. O voto não deveria ser um ato de raiva, vingança ou paixão cega. Deve ser resultado de informação, reflexão e responsabilidade.

Cada eleitor tem o direito de escolher livremente aqueles que considera mais preparados para representar seus interesses e os interesses do país. O que não podemos é entregar essa decisão aos outros por comodismo, descrença ou desânimo.

O Brasil enfrenta problemas sérios e conhecidos: corrupção, desperdício de recursos públicos, dificuldades na gestão, desigualdades, insegurança, desafios na saúde, na educação, na geração de empregos e na qualidade dos serviços públicos.

Nenhuma eleição resolve tudo sozinha. Nenhum político, independentemente de partido, consegue transformar o país por decreto.

Mas é nas urnas que começa a escolha de quem receberá a responsabilidade de administrar recursos públicos e tomar decisões que afetarão milhões de brasileiros.

Por isso, não votar não pode ser nossa resposta à decepção com a política.

Se estamos insatisfeitos, precisamos conhecer os candidatos, verificar suas propostas, observar seus históricos, comparar ideias e fazer nossa escolha de maneira consciente.

O voto não é uma procuração em branco.

É uma responsabilidade.

E, para aqueles que viveram muitas eleições, talvez seja também uma oportunidade de dizer às novas gerações: nós não construímos este país para desistir dele agora.

Aos mais jovens, fica outro recado: ajudem os mais velhos.

Levem-nos às urnas. Ajudem-nos a consultar informações oficiais. Respeitem suas escolhas. Não tentem escolher por eles. Apenas ofereçam aquilo que muitas vezes eles precisam: presença e companhia.

No dia 4 de outubro, cada um de nós terá cinco escolhas na urna, referentes aos cargos em disputa.

Que façamos essas escolhas com serenidade, consciência e responsabilidade.

Porque o Brasil não pertence aos políticos.

O Brasil pertence aos brasileiros.

E talvez uma das maiores demonstrações de respeito pelo país seja justamente esta: sair de casa, chegar à urna e exercer, livremente, o direito de escolher.

Para quem já viveu muitas décadas, votar pode ser também uma forma de dizer:

“Eu ainda acredito que o meu país pode ser melhor.”

E para quem é mais jovem, acompanhar esse gesto pode ser uma oportunidade de compreender que democracia não se constrói apenas reclamando.

Democracia também se constrói participando.

Neste ano, especialmente, não deixe que o cansaço, a descrença ou a dificuldade de locomoção decidam por você.

Se puder votar, vote.
Se precisar de ajuda para chegar, peça.
Se alguém precisar de ajuda, ofereça.

O futuro do Brasil também passa pela nossa capacidade de não desistir dele.

 

Até a próxima semana e com a consciência de que devemos fazer o melhor pelo Povo do Brasil!

 

Vitor Marques é Executivo de RH, Jornalista, Escritor e Consultor de Empresas

Blog www.vitormsmarques.blogspot.com

 

08/09/2026

TODO DIA - INDEPENDÊNCIA... OU VIDA? <> 7 DE SETEMBRO... NEM TANTO

Há datas que o calendário manda comemorar. O 7 de Setembro é uma delas. Colocamos a bandeira na janela, ouvimos o hino, assistimos aos desfiles, lembramos Dom Pedro às margens do Ipiranga e repetimos, quase automaticamente: “Independência ou Morte!”

Bonito.  Patriótico.  Histórico. Mas será que alguém já parou para perguntar o que aconteceu depois?

Porque, se formos olhar com um pouco menos de romantismo para a nossa História, talvez descubramos que a independência brasileira ainda esteja em construção.

E olha que já se passaram mais de duzentos anos. A famosa frase atribuída a D. Pedro entrou para os livros escolares como o grande grito de nascimento de uma nação. O problema é que, ao longo desses séculos, o Brasil parece ter desenvolvido uma habilidade extraordinária: mudar os discursos sem mudar suficientemente a realidade.

Continuamos falando em liberdade. Continuamos falando em igualdade. Continuamos falando em justiça. Continuamos prometendo educação, saúde, segurança, oportunidades e dignidade.

E continuamos esperando. Esperando o próximo governo. A próxima eleição. O próximo salvador da pátria. O próximo discurso inflamado. Talvez o problema seja justamente esse.

Esperamos demais.

Enquanto esperamos, há crianças que não esperam. Sentem fome. Há famílias que não esperam. Enfrentam filas. Há jovens que não esperam. Abandonam seus sonhos porque as oportunidades não chegaram. Há trabalhadores que não esperam. Aceitam condições que jamais deveriam ser consideradas normais. E há milhões de brasileiros que acordam todos os dias para lutar por aquilo que deveria ser básico: viver com dignidade.

Então eu pergunto:

Independência de quem?

Somos independentes de Portugal, sim. Mas somos independentes da pobreza? Da corrupção? Da desigualdade? Da violência? Do preconceito? Da ignorância? Da incompetência? Do fisiologismo político? Da velha prática de prometer muito antes das eleições e entregar pouco depois delas? Talvez não.

E existe uma morte muito mais perigosa do que aquela anunciada no grito do Ipiranga.

É a morte silenciosa. A morte da esperança. A morte da educação. A morte da cultura. A morte da ética. A morte da capacidade de indignação.

Porque um povo pode sobreviver à pobreza. Pode sobreviver às crises econômicas. Pode reconstruir cidades destruídas. Pode superar tragédias.

Mas quando perde a capacidade de se indignar diante do absurdo, começa a morrer por dentro.

E isso é muito mais perigoso.

O Brasil não pode se acostumar com crianças vivendo sem alimentação adequada. Não pode considerar normal uma escola sem condições. Não pode aceitar hospitais que não conseguem atender quem precisa. Não pode naturalizar a violência. Não pode achar engraçado o preconceito. Não pode transformar corrupção em esperteza. Não pode considerar incompetência uma característica inevitável da política. E não pode continuar tratando a cultura como luxo. Um país que abandona sua cultura abandona parte da própria memória. Mas existe algo que ainda me dá esperança.

Os jovens.

Eles podem ser barulhentos demais, inquietos demais, conectados demais e, algumas vezes, até impacientes demais.

Ainda bem! Prefiro uma juventude inquieta a uma juventude conformada. Prefiro jovens questionando do que jovens aceitando tudo. Prefiro quem pergunta “por quê?” a quem simplesmente responde “sempre foi assim”. Talvez esteja justamente nessa inquietação a possibilidade de construirmos um novo Brasil. Um Brasil que não precise esperar mais duzentos anos para descobrir que independência não é apenas uma palavra bonita estampada em um livro de História. Independência é poder escolher.

É poder estudar. É poder trabalhar. É poder empreender. É poder discordar. É poder envelhecer com dignidade. É poder criar os filhos com segurança. É poder acreditar no amanhã. É poder viver. Por isso, talvez esteja na hora de reciclar o grito do Ipiranga.

Não quero mais um país obrigado a escolher entre independência e morte. Quero independência e vida. Aliás, quero mais.

Quero INDEPENDÊNCIA OU VIDA!

Vida para quem nasce pobre. Vida para quem nasce rico. Vida para quem mora na periferia.

Vida para quem mora nos condomínios. Vida para quem tem deficiência. Vida para quem é diferente. Vida para quem pensa diferente. Vida para quem chegou de longe e escolheu o Brasil para viver. Vida para todos. Porque pátria não deveria ser apenas o território delimitado em um mapa.

Pátria é aquilo que fazemos uns pelos outros dentro desse território. E aqui entra uma palavra que talvez incomode: responsabilidade. Nós também somos responsáveis pelo país que temos. É muito fácil colocar toda a culpa nos políticos. É confortável. Elegemos e depois reclamamos. Reclamamos e depois elegemos novamente. E, de quatro em quatro anos, repetimos o ritual. Promessas, santinhos, discursos, abraços, apertos de mão, fotografias e aquela velha promessa de que agora vai. Depois descobrimos que não foi. Talvez esteja na hora de mudar o método. Na próxima eleição, antes de perguntar se o candidato é simpático, famoso ou pertence ao nosso grupo político, deveríamos perguntar:

Qual é o projeto?

O que ele pretende fazer? Como pretende fazer? Quanto vai custar? Qual é o prazo? Quem será beneficiado? E, principalmente: Que Brasil ele pretende entregar aos nossos filhos e netos?

Porque democracia não é apenas o direito de votar. É também o dever de escolher com responsabilidade. Não precisamos de salvadores. Precisamos de gente preparada.

Não precisamos de políticos que saibam fazer discursos. Precisamos de políticos que saibam fazer gestão. Não precisamos de quem viva olhando para a próxima eleição. Precisamos de quem consiga enxergar a próxima geração. E talvez seja exatamente essa a nossa verdadeira independência. A independência de pensar. A independência de questionar. A independência de não aceitar qualquer explicação. A independência de não vender nosso voto por pequenas vantagens. A independência de compreender que o país não é propriedade de governos, partidos ou grupos econômicos.

O Brasil é nosso.

De todos nós.E se queremos mudar a História, precisamos parar de esperar que algum Dom Pedro moderno apareça às margens de algum rio para resolver nossas vidas.

O novo grito precisa sair de cada cidadão. Da escola. Da empresa. Da família. Da comunidade. Da urna eletrônica. Da consciência. Não será um grito de um homem.

Será um grito de milhões. E talvez, nos 7 de setembro de todo dia, devêssemos olhar para a nossa bandeira e fazer uma pergunta simples, mas incômoda:

Que independência estamos comemorando? A política ainda não é independente dos interesses pessoais. A economia ainda não é independente das desigualdades.

A educação ainda não é independente do abandono. A cultura ainda não é independente do descaso.

E milhões de brasileiros ainda não são independentes da fome, do medo e da falta de oportunidades. Então, sim, vamos comemorar o 7 de setembro todo dia com atitudes práticas. Mas vamos também provocar. Vamos questionar. Vamos pensar.

Porque patriotismo não é fechar os olhos para os problemas do país. Patriotismo é ter coragem de enxergá-los. E mais coragem ainda para tentar transformá-los.

Que o próximo 7 de setembro não seja apenas uma celebração do passado.

Que seja um compromisso com o futuro. Que o velho “Independência ou Morte!” possa finalmente ganhar uma nova interpretação. Uma interpretação mais humana. Mais democrática. Mais brasileira.

INDEPENDÊNCIA OU VIDA!

Porque a verdadeira independência será alcançada no dia em que nenhum brasileiro precise escolher entre sobreviver e viver. Nesse dia, talvez possamos finalmente dizer:

Agora sim. Somos independentes.

 

Vitor Marques
Executivo de RH, Escritor, Jornalista e Palestrante

 

31/08/2026

UM PLANETA EM ALERTA - COMO VIVER DIANTE DAS CATÁSTROFES?

Vivemos uma época paradoxal. Nunca o ser humano dispôs de tantos recursos tecnológicos para monitorar, compreender e prevenir catástrofes e, ao mesmo tempo, nunca esteve tão exposto emocionalmente a elas. Terremotos, enchentes, deslizamentos, incêndios, furacões, ondas de calor e outros fenômenos naturais deixaram de ser acontecimentos distantes. Hoje, uma tragédia ocorrida no outro lado do planeta chega ao nosso celular em poucos segundos.

O recente caso do Nepal é um exemplo dramático. O país enfrentou uma situação de grande destruição associada a fenômenos naturais na região do Himalaia, envolvendo gelo, rochas, deslizamentos e inundações repentinas. Equipes de resgate precisaram enfrentar enormes dificuldades para localizar vítimas e alcançar comunidades afetadas. O episódio também chama a atenção para a vulnerabilidade de regiões montanhosas diante das transformações ambientais e climáticas.

Ao mesmo tempo, terremotos de diferentes magnitudes continu
am sendo registrados em diversas partes do planeta. É importante, porém, não transformar a sucessão de notícias em uma conclusão de que a Terra esteja necessariamente entrando em uma fase de maior atividade sísmica. Os terremotos são fenômenos naturais relacionados principalmente à dinâmica das placas tectônicas. O que mudou radicalmente foi nossa capacidade de detectá-los e, principalmente, de acompanhá-los praticamente em tempo real.

E essa mudança tecnológica produz uma consequência que merece atenção: o desastre deixou de ser apenas geográfico e passou também a ser psicológico.

Antigamente, uma catástrofe ocorrida a milhares de quilômetros chegava até nós como uma notícia. Hoje, recebemos imagens, vídeos, relatos de sobreviventes, números de mortos e desaparecidos e cenas de destruição diretamente em nossos telefones. Muitas vezes, acompanhamos o sofrimento humano quase no mesmo instante em que ele acontece.

O cérebro humano, entretanto, não foi preparado para processar diariamente o sofrimento de milhões de pessoas em tempo real. A exposição constante pode produzir medo, ansiedade, tristeza e uma sensação permanente de insegurança. Mesmo estando fisicamente distante de uma tragédia, podemos sentir como se ela estivesse acontecendo ao nosso lado.

É preciso, portanto, aprender a conviver com a informação sem permitir que ela domine nossa vida.

Outro problema é a velocidade com que informações não verificadas circulam durante as tragédias. Números incorretos, imagens antigas, vídeos fora de contexto e teorias sem fundamento podem espalhar medo e confusão. Em momentos de emergência, uma informação falsa pode provocar comportamentos perigosos.

Por isso, precisamos desenvolver uma verdadeira responsabilidade digital. Antes de compartilhar uma notícia, devemos verificar sua origem, data e confirmação por fontes confiáveis. A rapidez da comunicação não pode ser mais importante do que a verdade.

Mas como o ser humano pode lidar com um mundo aparentemente cada vez mais ameaçado por catástrofes?

A primeira resposta não deve ser o medo, mas a preparação.

Governos, empresas, escolas e famílias precisam conhecer os riscos existentes em suas regiões, estabelecer planos de emergência, definir rotas de saída, manter sistemas de comunicação e preparar as comunidades para agir diante de situações críticas. A prevenção e os sistemas de alerta podem salvar milhares de vidas.

Preparar-se para uma emergência não significa acreditar que uma tragédia necessariamente acontecerá. Significa reconhecer que vivemos em um planeta dinâmico e que a prevenção é uma forma de responsabilidade.

Também precisamos aprender a cuidar da nossa saúde emocional diante da avalanche de notícias.

É importante estar informado, mas não é saudável viver permanentemente conectado às tragédias do mundo. Precisamos estabelecer limites para o consumo de notícias, especialmente de imagens violentas e situações de sofrimento. Ter solidariedade não significa carregar emocionalmente todas as dores do planeta.

É necessário recuperar espaços de silêncio, convivência, contato com a natureza, diálogo e presença. A tecnologia deve servir ao ser humano, e não transformar sua existência em uma sucessão interminável de alertas e tragédias.

Nesse contexto, a palavra que talvez melhor defina o futuro seja resiliência.

Uma sociedade resiliente não é aquela que acredita estar protegida de todos os perigos. É aquela que reconhece sua vulnerabilidade e se prepara para enfrentar as adversidades. Uma cidade resiliente é aquela que planeja suas construções, protege suas áreas de risco, possui sistemas de alerta e consegue reconstruir-se depois de uma tragédia.

O mesmo princípio vale para cada indivíduo. Resiliência significa desenvolver conhecimento, equilíbrio emocional, capacidade de adaptação e solidariedade.

Os acontecimentos no Nepal e os terremotos registrados em diferentes regiões do planeta nos lembram de uma verdade fundamental: a humanidade não controla a dinâmica da Terra.

Não podemos impedir que um terremoto aconteça, que uma montanha desabe ou que um rio transborde. Entretanto, podemos reduzir seus impactos. Podemos planejar melhor nossas cidades, preservar o meio ambiente, investir em ciência, melhorar os sistemas de alerta, preparar as comunidades e combater a desinformação.

Mais do que nunca, precisamos substituir o sentimento de impotência pelo espírito de preparação.

O futuro não precisa ser uma profecia de catástrofes. Ele pode ser uma oportunidade para construirmos uma humanidade mais consciente, solidária e preparada.

A Terra continuará sendo dinâmica. O que precisamos construir é a capacidade humana de conviver com essa realidade.

A verdadeira estabilidade do planeta talvez não esteja em impedir que a Terra se mova, mas em preparar a humanidade para quando ela se mover.

E essa responsabilidade não pertence apenas aos governos ou à ciência.

Pertence a cada um de nós.

 

 Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

 

PLANETA DOS MACACOS - A FICÇÃO QUE NOS FAZ PENSAR SOBRE O FUTURO DA HUMANIDADE

 Existem filmes que ultrapassam o entretenimento e permanecem como instrumentos de reflexão. “Planeta dos Macacos” é um deles. Desde sua primeira versão, em 1968, a obra apresenta uma sociedade na qual os seres humanos perderam sua posição dominante e os macacos passaram a controlar o planeta. Por trás da ficção científica existe, porém, uma pergunta profundamente humana: o que poderá acontecer conosco se não formos capazes de controlar nossas próprias escolhas?

A história surgiu em um período marcado por guerras, conflitos políticos, desigualdades e medo de uma destruição nuclear. Por isso, os filmes nunca falaram apenas de macacos. Falaram de poder, intolerância, ciência, preconceito, violência e da dificuldade do ser humano em aprender com seus próprios erros.

Quase seis décadas depois, algumas dessas questões continuam presentes.

O mundo atual vive uma combinação de instabilidade política, conflitos internacionais, desigualdades econômicas, transformações sociais e uma revolução tecnológica sem precedentes. Países disputam influência, governos enfrentam dificuldades para responder às novas demandas sociais e a economia mundial convive com incertezas.

Ao mesmo tempo, a tecnologia avança em velocidade impressionante.

Inteligência artificial, robótica, biotecnologia, computação quântica, exploração espacial e comunicação instantânea estão modificando profundamente a maneira como trabalhamos, consumimos informações e nos relacionamos.

A grande contradição é que a humanidade nunca foi tão tecnologicamente poderosa e, ao mesmo tempo, continua enfrentando problemas que parecem antigos: guerras, pobreza, fome, intolerância, desigualdade e disputas pelo poder.

É nesse ponto que “Planeta dos Macacos” volta a fazer sentido.

O verdadeiro perigo não está nos macacos

A grande ameaça apresentada pela ficção não é necessariamente a possibilidade de os macacos dominarem os seres humanos. O alerta é sobre aquilo que os próprios seres humanos podem fazer contra sua civilização.

Quando a política transforma adversários em inimigos, quando o diálogo desaparece e quando cada grupo acredita possuir sozinho a verdade, a sociedade começa a perder a capacidade de construir soluções.

O problema não está em possuir posições políticas diferentes. A democracia depende da diversidade de ideias. O perigo surge quando deixamos de reconhecer no outro um cidadão com direito a pensar de maneira diferente.

As redes sociais aumentaram ainda mais esse problema. Informações circulam instantaneamente, mas muitas vezes somos apresentados apenas àquilo que confirma nossas próprias opiniões. O debate transforma-se em confronto e a busca pela verdade é substituída pela necessidade de vencer.

Uma sociedade que transforma todas as diferenças em guerras internas corre o risco de perder a capacidade de construir seu futuro.

A economia e a tecnologia diante de uma nova realidade

Também no campo econômico estamos diante de grandes transformações.

A tecnologia pode aumentar a produtividade, criar novas profissões e gerar oportunidades extraordinárias. Porém, pode igualmente ampliar desigualdades se seus benefícios ficarem concentrados em poucas empresas, países ou indivíduos.

A inteligência artificial representa talvez a maior transformação tecnológica deste início de século. Ela poderá substituir algumas tarefas, criar outras e modificar profissões inteiras.

Mas a questão principal não é saber se a tecnologia será capaz de fazer tudo aquilo que imaginamos.

A pergunta mais importante será:

seremos capazes de utilizar esse poder com responsabilidade?

A tecnologia não possui, sozinha, valores morais. Ela depende das escolhas de quem a desenvolve e utiliza.

Uma mesma ferramenta pode ser usada para educar, curar e facilitar a vida ou para manipular informações, aumentar desigualdades e produzir conflitos.

Portanto, o futuro da tecnologia será, antes de tudo, uma questão de responsabilidade humana.

E o Universo?

Enquanto enfrentamos nossos problemas na Terra, a humanidade começa a olhar cada vez mais para o espaço.

A exploração da Lua, os projetos para futuras missões a Marte, os novos telescópios e a descoberta de milhares de exoplanetas demonstram que nosso conhecimento sobre o Universo cresce rapidamente.

É possível imaginar que, no médio prazo, bases permanentes possam surgir na Lua e que missões humanas a Marte se torne realidade. No longo prazo, tecnologias ainda inexistentes poderão permitir viagens mais distantes e uma presença humana além da Terra.

Talvez descubramos novos recursos, novos ambientes habitáveis ou até mesmo evidências de vida fora do nosso planeta.

São possibilidades que, hoje, pertencem parcialmente ao campo da especulação, mas que mostram como o futuro pode ser muito mais extraordinário do que conseguimos imaginar.

Entretanto, existe uma condição fundamental:

antes de conquistar outros mundos, precisamos aprender a cuidar deste.

Não faria sentido utilizar a exploração espacial como fuga dos problemas que nós mesmos criamos na Terra.

A expansão da humanidade pelo Universo deveria representar uma evolução da civilização, e não simplesmente a transferência de nossos conflitos para outros lugares.

O verdadeiro “Planeta dos Macacos”

Talvez a grande mensagem da história seja que o maior perigo para a humanidade não seja uma espécie diferente assumir nosso lugar.

O verdadeiro perigo é nós mesmos destruirmos as condições que permitem nossa existência.

Guerras, intolerância, desigualdade extrema, destruição ambiental, uso irresponsável da tecnologia e falta de planejamento podem comprometer o futuro de nossa civilização.

Mas ainda existe uma escolha.

Podemos utilizar a ciência para preservar o planeta. A tecnologia para melhorar a vida. A economia para gerar oportunidades. A política para construir soluções. A educação para formar cidadãos mais conscientes. E a exploração espacial para ampliar o conhecimento e os horizontes da humanidade.

O futuro não precisa ser aquele apresentado pela ficção.

Podemos construir um mundo diferente.

Talvez, nas próximas décadas, a humanidade esteja cada vez mais integrada à inteligência artificial, à robótica e à biotecnologia. Talvez nossos descendentes caminhem na Lua ou em Marte. Talvez descubramos formas de vida em outros lugares do Universo.

Não sabemos exatamente o que acontecerá.

Mas sabemos que as decisões tomadas hoje ajudarão a determinar o mundo de amanhã.

“Planeta dos Macacos” nos apresenta uma humanidade que perdeu o controle do próprio destino.

Nós ainda temos a oportunidade de escrever uma história diferente.

Podemos continuar presos às disputas do presente ou começar a construir uma visão de futuro.

Porque, no final, talvez essa seja a principal lição da ficção científica: o futuro não está escrito. Ele é construído pelas escolhas que fazemos no presente.

E se o Universo oferece possibilidades praticamente infinitas, cabe à humanidade demonstrar que possui maturidade suficiente para explorá-las.

Antes de conquistar outros planetas, precisamos aprender a conviver em paz no nosso.

Esse talvez seja o verdadeiro desafio da nossa geração: garantir que, quando a humanidade finalmente alcançar outros mundos, ainda tenha preservado aquilo que a torna verdadeiramente humana.

  Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

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