06/10/2026

O BRASIL QUE CABE EM NOSSAS MÃOS

 

Há momentos em que um país inteiro parece caber dentro de uma pequena tela. Diante de uma urna, milhões de brasileiros estarão sozinhos com a própria consciência, chamados a decidir não apenas quem governará, mas quais caminhos desejam abrir para o futuro.

Chegamos ao segundo turno. É hora de diminuir o barulho e ampliar a reflexão. Em tempos de paixões políticas, discursos inflamados e verdades fabricadas nas redes sociais, pensar com independência tornou-se um exercício de coragem.

O voto é individual, mas suas consequências pertencem a todos.

Não podemos escolher apenas por simpatia, rejeição ou conveniência. Precisamos analisar a história dos candidatos, suas propostas, suas atitudes, seus compromissos e os valores que representam. Palavras podem emocionar, promessas podem seduzir, mas é a coerência entre discurso e prática que revela o verdadeiro compromisso de quem deseja governar.

Não existe candidato perfeito. Existe, porém, a obrigação de escolher com consciência, procurando aqueles que mais se aproximam dos nossos princípios éticos e humanos.

O Brasil precisa de representantes comprometidos com o interesse público, com a dignidade das pessoas, com o trabalho e com a construção de oportunidades. Precisa de lideranças capazes de compreender que governar não é conquistar adversários, mas trabalhar por uma sociedade na qual todos tenham condições de viver com dignidade.

Nenhum partido deve ser maior do que o país. Nenhum candidato deve ser maior do que a nossa consciência.

Mas há uma questão que ultrapassa as urnas e incomoda justamente porque nos envolve diretamente: o que estamos fazendo, individualmente, para melhorar o Brasil?

É fácil exigir honestidade dos governantes. Difícil é praticá-la quando ninguém está olhando. É fácil condenar a corrupção em Brasília, mas precisamos também rejeitar as pequenas desonestidades que toleramos quando nos favorecem. Queremos justiça, mas precisamos agir com justiça. Exigimos respeito, mas devemos respeitar quem pensa diferente.

Não podemos querer um país melhor sem assumir o compromisso de sermos cidadãos melhores.

A responsabilidade pelo Brasil não pode ser terceirizada. Elegemos representantes, mas não entregamos a eles nossa consciência, nossos deveres ou nossa capacidade de transformar a realidade.

Depois da eleição, haverá a segunda-feira. O trabalhador voltará ao trabalho, o professor entrará na sala de aula, as famílias enfrentarão seus desafios e os jovens continuarão procurando oportunidades. A vida seguirá exigindo de cada um aquilo que nenhuma campanha eleitoral pode oferecer em nosso lugar: caráter, disposição e responsabilidade.

É nesse cotidiano, longe dos palanques, que a cidadania ganha sentido.

Ela aparece na honestidade de quem cumpre suas obrigações, na solidariedade de quem estende a mão, na coragem de quem denuncia o que está errado e na generosidade de quem compreende que o bem coletivo não pode depender apenas de vantagens pessoais.

O Brasil que criticamos também é o Brasil que ajudamos a construir.

E há algo ainda mais importante: nossos filhos e netos estão observando. Herdarão não apenas as condições econômicas, políticas e sociais que deixarmos, mas também os exemplos que oferecermos.


Que sociedade queremos entregar a eles? Uma sociedade dominada pelo ressentimento, pela intolerância e pela indiferença? Ou um país em que a honestidade seja respeitada, o trabalho valorizado, a educação reconhecida e as diferenças discutidas com maturidade?

O futuro das novas gerações começa nas decisões que tomamos hoje, inclusive na maneira como nos comportamos diante daqueles que discordam de nós.

Por isso, o segundo turno precisa ser mais do que uma disputa eleitoral. Deve representar uma oportunidade de amadurecimento, de avaliação e de renovação do compromisso com o país. Escolher é importante, mas acompanhar, fiscalizar e cobrar também são responsabilidades de quem leva a democracia a sério.

Democracia não é uma procuração em branco. É um compromisso permanente entre representantes e representados.

Precisamos de novos caminhos, de perspectivas que recuperem a confiança e de uma política que compreenda sua verdadeira finalidade: servir à sociedade. Isso exige competência e responsabilidade dos governantes, mas também participação e consciência dos cidadãos.

Ainda temos motivos para acreditar. Eles estão no jovem que estuda, na família que luta, no profissional que trabalha honestamente, no professor que ensina e em todos aqueles que, apesar das dificuldades, não desistiram de fazer a sua parte.

A esperança brasileira não mora apenas nos discursos. Mora nas atitudes de quem se recusa a aceitar que o errado se torne normal.

Ética para escolher. Fé para continuar. Amor para respeitar. Altruísmo para olhar além dos próprios interesses. Trabalho para transformar. Esperança para não desistir.

Esses valores não aparecem na tela da urna, mas determinam o significado das nossas escolhas.

Que façamos, portanto, uma escolha consciente neste segundo turno. Sem fanatismo, sem ódio e sem abrir mão dos princípios que orientam nossa vida. Que saibamos reconhecer virtudes, questionar erros e colocar o interesse coletivo acima das conveniências pessoais.

E que, no dia seguinte, continuemos fazendo aquilo que nos cabe.

Porque o Brasil não termina na urna. O Brasil recomeça todos os dias, nas mãos de cada cidadão.

Não podemos garantir que nossas escolhas produzirão todos os resultados que desejamos. Podemos, entretanto, assumir a responsabilidade por elas e agir com dignidade, independentemente de quem vença uma eleição.

Aos nossos filhos e netos, devemos mais do que promessas de um futuro melhor. Devemos exemplos que lhes permitam acreditar que esse futuro é possível.

Ainda podemos mudar. Ainda podemos construir. Ainda podemos fazer diferente.

O futuro não é apenas aquilo que esperamos receber. É aquilo que decidimos construir, juntos, a partir de hoje.

 Vitor Marques é Executivo de RH, Jornalista, Escritor e Consultor de Empresas

Blog www.vitormsmarques.blogspot.com

 

22/09/2026

O VOTO QUE NÃO PODEMOS DEIXAR DE DAR <> ESPECIALMENTE AOS IDOSOS COM 70 ANOS OU MAIS

 

O VOTO QUE NÃO PODEMOS DEIXAR DE DAR

ESPECIALMENTE AOS IDOSOS COM 70 ANOS OU MAIS

 

Por Vitor M S Marques

 Há momentos na história de um país em que ficar em casa também é uma escolha. E, quando chega o dia da eleição, deixar de ir à urna significa abrir mão de uma das mais importantes ferramentas que a democracia coloca nas mãos de cada cidadão: o voto.

Em 4 de outubro, o Brasil voltará às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados. Será mais uma oportunidade para cada brasileiro olhar para o país, para sua cidade, para sua família e perguntar: que Brasil queremos construir para os próximos anos?

Em cidades onde existe uma expressiva população idosa, essa pergunta ganha ainda mais significado.



São homens e mulheres que acompanharam décadas da história brasileira. Viveram diferentes governos, mudanças econômicas, crises, períodos de esperança e também momentos difíceis. Muitos trabalharam uma vida inteira, criaram filhos, ajudaram a construir suas comunidades e chegaram à terceira idade carregando uma experiência que nenhuma estatística consegue medir.

Por isso, o voto de uma pessoa idosa não é apenas mais um voto.

É também memória.

É experiência.

É responsabilidade com as próximas gerações.

A Justiça Eleitoral garante prioridade de atendimento às pessoas com 60 anos ou mais, e aquelas com mais de 80 anos têm prioridade sobre os demais eleitores, independentemente da ordem de chegada.

É importante lembrar também que, no Brasil, o voto é facultativo para quem tem mais de 70 anos. Mas facultativo não significa sem importância. Ao contrário: justamente por não existir a obrigação legal, a decisão de sair de casa e votar representa uma manifestação consciente de cidadania.

E aqui faço um apelo especialmente aos filhos, netos, sobrinhos e demais familiares.

Se seu pai, sua mãe, seu avô, sua avó ou alguém próximo tem dificuldade para chegar ao local de votação, não espere que essa pessoa peça ajuda. Ofereça.

Pergunte:

“Você quer votar? Posso levar você?”

Às vezes, uma simples carona pode representar muito mais do que um deslocamento até uma escola ou outro local de votação. Pode significar respeito pela história de quem está ao nosso lado.

Não devemos transformar a eleição em uma disputa de torcidas. O voto não deveria ser um ato de raiva, vingança ou paixão cega. Deve ser resultado de informação, reflexão e responsabilidade.

Cada eleitor tem o direito de escolher livremente aqueles que considera mais preparados para representar seus interesses e os interesses do país. O que não podemos é entregar essa decisão aos outros por comodismo, descrença ou desânimo.

O Brasil enfrenta problemas sérios e conhecidos: corrupção, desperdício de recursos públicos, dificuldades na gestão, desigualdades, insegurança, desafios na saúde, na educação, na geração de empregos e na qualidade dos serviços públicos.

Nenhuma eleição resolve tudo sozinha. Nenhum político, independentemente de partido, consegue transformar o país por decreto.

Mas é nas urnas que começa a escolha de quem receberá a responsabilidade de administrar recursos públicos e tomar decisões que afetarão milhões de brasileiros.

Por isso, não votar não pode ser nossa resposta à decepção com a política.

Se estamos insatisfeitos, precisamos conhecer os candidatos, verificar suas propostas, observar seus históricos, comparar ideias e fazer nossa escolha de maneira consciente.

O voto não é uma procuração em branco.

É uma responsabilidade.

E, para aqueles que viveram muitas eleições, talvez seja também uma oportunidade de dizer às novas gerações: nós não construímos este país para desistir dele agora.

Aos mais jovens, fica outro recado: ajudem os mais velhos.

Levem-nos às urnas. Ajudem-nos a consultar informações oficiais. Respeitem suas escolhas. Não tentem escolher por eles. Apenas ofereçam aquilo que muitas vezes eles precisam: presença e companhia.

No dia 4 de outubro, cada um de nós terá cinco escolhas na urna, referentes aos cargos em disputa.

Que façamos essas escolhas com serenidade, consciência e responsabilidade.

Porque o Brasil não pertence aos políticos.

O Brasil pertence aos brasileiros.

E talvez uma das maiores demonstrações de respeito pelo país seja justamente esta: sair de casa, chegar à urna e exercer, livremente, o direito de escolher.

Para quem já viveu muitas décadas, votar pode ser também uma forma de dizer:

“Eu ainda acredito que o meu país pode ser melhor.”

E para quem é mais jovem, acompanhar esse gesto pode ser uma oportunidade de compreender que democracia não se constrói apenas reclamando.

Democracia também se constrói participando.

Neste ano, especialmente, não deixe que o cansaço, a descrença ou a dificuldade de locomoção decidam por você.

Se puder votar, vote.
Se precisar de ajuda para chegar, peça.
Se alguém precisar de ajuda, ofereça.

O futuro do Brasil também passa pela nossa capacidade de não desistir dele.

 

Até a próxima semana e com a consciência de que devemos fazer o melhor pelo Povo do Brasil!

 

Vitor Marques é Executivo de RH, Jornalista, Escritor e Consultor de Empresas

Blog www.vitormsmarques.blogspot.com

 

08/09/2026

TODO DIA - INDEPENDÊNCIA... OU VIDA? <> 7 DE SETEMBRO... NEM TANTO

Há datas que o calendário manda comemorar. O 7 de Setembro é uma delas. Colocamos a bandeira na janela, ouvimos o hino, assistimos aos desfiles, lembramos Dom Pedro às margens do Ipiranga e repetimos, quase automaticamente: “Independência ou Morte!”

Bonito.  Patriótico.  Histórico. Mas será que alguém já parou para perguntar o que aconteceu depois?

Porque, se formos olhar com um pouco menos de romantismo para a nossa História, talvez descubramos que a independência brasileira ainda esteja em construção.

E olha que já se passaram mais de duzentos anos. A famosa frase atribuída a D. Pedro entrou para os livros escolares como o grande grito de nascimento de uma nação. O problema é que, ao longo desses séculos, o Brasil parece ter desenvolvido uma habilidade extraordinária: mudar os discursos sem mudar suficientemente a realidade.

Continuamos falando em liberdade. Continuamos falando em igualdade. Continuamos falando em justiça. Continuamos prometendo educação, saúde, segurança, oportunidades e dignidade.

E continuamos esperando. Esperando o próximo governo. A próxima eleição. O próximo salvador da pátria. O próximo discurso inflamado. Talvez o problema seja justamente esse.

Esperamos demais.

Enquanto esperamos, há crianças que não esperam. Sentem fome. Há famílias que não esperam. Enfrentam filas. Há jovens que não esperam. Abandonam seus sonhos porque as oportunidades não chegaram. Há trabalhadores que não esperam. Aceitam condições que jamais deveriam ser consideradas normais. E há milhões de brasileiros que acordam todos os dias para lutar por aquilo que deveria ser básico: viver com dignidade.

Então eu pergunto:

Independência de quem?

Somos independentes de Portugal, sim. Mas somos independentes da pobreza? Da corrupção? Da desigualdade? Da violência? Do preconceito? Da ignorância? Da incompetência? Do fisiologismo político? Da velha prática de prometer muito antes das eleições e entregar pouco depois delas? Talvez não.

E existe uma morte muito mais perigosa do que aquela anunciada no grito do Ipiranga.

É a morte silenciosa. A morte da esperança. A morte da educação. A morte da cultura. A morte da ética. A morte da capacidade de indignação.

Porque um povo pode sobreviver à pobreza. Pode sobreviver às crises econômicas. Pode reconstruir cidades destruídas. Pode superar tragédias.

Mas quando perde a capacidade de se indignar diante do absurdo, começa a morrer por dentro.

E isso é muito mais perigoso.

O Brasil não pode se acostumar com crianças vivendo sem alimentação adequada. Não pode considerar normal uma escola sem condições. Não pode aceitar hospitais que não conseguem atender quem precisa. Não pode naturalizar a violência. Não pode achar engraçado o preconceito. Não pode transformar corrupção em esperteza. Não pode considerar incompetência uma característica inevitável da política. E não pode continuar tratando a cultura como luxo. Um país que abandona sua cultura abandona parte da própria memória. Mas existe algo que ainda me dá esperança.

Os jovens.

Eles podem ser barulhentos demais, inquietos demais, conectados demais e, algumas vezes, até impacientes demais.

Ainda bem! Prefiro uma juventude inquieta a uma juventude conformada. Prefiro jovens questionando do que jovens aceitando tudo. Prefiro quem pergunta “por quê?” a quem simplesmente responde “sempre foi assim”. Talvez esteja justamente nessa inquietação a possibilidade de construirmos um novo Brasil. Um Brasil que não precise esperar mais duzentos anos para descobrir que independência não é apenas uma palavra bonita estampada em um livro de História. Independência é poder escolher.

É poder estudar. É poder trabalhar. É poder empreender. É poder discordar. É poder envelhecer com dignidade. É poder criar os filhos com segurança. É poder acreditar no amanhã. É poder viver. Por isso, talvez esteja na hora de reciclar o grito do Ipiranga.

Não quero mais um país obrigado a escolher entre independência e morte. Quero independência e vida. Aliás, quero mais.

Quero INDEPENDÊNCIA OU VIDA!

Vida para quem nasce pobre. Vida para quem nasce rico. Vida para quem mora na periferia.

Vida para quem mora nos condomínios. Vida para quem tem deficiência. Vida para quem é diferente. Vida para quem pensa diferente. Vida para quem chegou de longe e escolheu o Brasil para viver. Vida para todos. Porque pátria não deveria ser apenas o território delimitado em um mapa.

Pátria é aquilo que fazemos uns pelos outros dentro desse território. E aqui entra uma palavra que talvez incomode: responsabilidade. Nós também somos responsáveis pelo país que temos. É muito fácil colocar toda a culpa nos políticos. É confortável. Elegemos e depois reclamamos. Reclamamos e depois elegemos novamente. E, de quatro em quatro anos, repetimos o ritual. Promessas, santinhos, discursos, abraços, apertos de mão, fotografias e aquela velha promessa de que agora vai. Depois descobrimos que não foi. Talvez esteja na hora de mudar o método. Na próxima eleição, antes de perguntar se o candidato é simpático, famoso ou pertence ao nosso grupo político, deveríamos perguntar:

Qual é o projeto?

O que ele pretende fazer? Como pretende fazer? Quanto vai custar? Qual é o prazo? Quem será beneficiado? E, principalmente: Que Brasil ele pretende entregar aos nossos filhos e netos?

Porque democracia não é apenas o direito de votar. É também o dever de escolher com responsabilidade. Não precisamos de salvadores. Precisamos de gente preparada.

Não precisamos de políticos que saibam fazer discursos. Precisamos de políticos que saibam fazer gestão. Não precisamos de quem viva olhando para a próxima eleição. Precisamos de quem consiga enxergar a próxima geração. E talvez seja exatamente essa a nossa verdadeira independência. A independência de pensar. A independência de questionar. A independência de não aceitar qualquer explicação. A independência de não vender nosso voto por pequenas vantagens. A independência de compreender que o país não é propriedade de governos, partidos ou grupos econômicos.

O Brasil é nosso.

De todos nós.E se queremos mudar a História, precisamos parar de esperar que algum Dom Pedro moderno apareça às margens de algum rio para resolver nossas vidas.

O novo grito precisa sair de cada cidadão. Da escola. Da empresa. Da família. Da comunidade. Da urna eletrônica. Da consciência. Não será um grito de um homem.

Será um grito de milhões. E talvez, nos 7 de setembro de todo dia, devêssemos olhar para a nossa bandeira e fazer uma pergunta simples, mas incômoda:

Que independência estamos comemorando? A política ainda não é independente dos interesses pessoais. A economia ainda não é independente das desigualdades.

A educação ainda não é independente do abandono. A cultura ainda não é independente do descaso.

E milhões de brasileiros ainda não são independentes da fome, do medo e da falta de oportunidades. Então, sim, vamos comemorar o 7 de setembro todo dia com atitudes práticas. Mas vamos também provocar. Vamos questionar. Vamos pensar.

Porque patriotismo não é fechar os olhos para os problemas do país. Patriotismo é ter coragem de enxergá-los. E mais coragem ainda para tentar transformá-los.

Que o próximo 7 de setembro não seja apenas uma celebração do passado.

Que seja um compromisso com o futuro. Que o velho “Independência ou Morte!” possa finalmente ganhar uma nova interpretação. Uma interpretação mais humana. Mais democrática. Mais brasileira.

INDEPENDÊNCIA OU VIDA!

Porque a verdadeira independência será alcançada no dia em que nenhum brasileiro precise escolher entre sobreviver e viver. Nesse dia, talvez possamos finalmente dizer:

Agora sim. Somos independentes.

 

Vitor Marques
Executivo de RH, Escritor, Jornalista e Palestrante

 

31/08/2026

UM PLANETA EM ALERTA - COMO VIVER DIANTE DAS CATÁSTROFES?

Vivemos uma época paradoxal. Nunca o ser humano dispôs de tantos recursos tecnológicos para monitorar, compreender e prevenir catástrofes e, ao mesmo tempo, nunca esteve tão exposto emocionalmente a elas. Terremotos, enchentes, deslizamentos, incêndios, furacões, ondas de calor e outros fenômenos naturais deixaram de ser acontecimentos distantes. Hoje, uma tragédia ocorrida no outro lado do planeta chega ao nosso celular em poucos segundos.

O recente caso do Nepal é um exemplo dramático. O país enfrentou uma situação de grande destruição associada a fenômenos naturais na região do Himalaia, envolvendo gelo, rochas, deslizamentos e inundações repentinas. Equipes de resgate precisaram enfrentar enormes dificuldades para localizar vítimas e alcançar comunidades afetadas. O episódio também chama a atenção para a vulnerabilidade de regiões montanhosas diante das transformações ambientais e climáticas.

Ao mesmo tempo, terremotos de diferentes magnitudes continu
am sendo registrados em diversas partes do planeta. É importante, porém, não transformar a sucessão de notícias em uma conclusão de que a Terra esteja necessariamente entrando em uma fase de maior atividade sísmica. Os terremotos são fenômenos naturais relacionados principalmente à dinâmica das placas tectônicas. O que mudou radicalmente foi nossa capacidade de detectá-los e, principalmente, de acompanhá-los praticamente em tempo real.

E essa mudança tecnológica produz uma consequência que merece atenção: o desastre deixou de ser apenas geográfico e passou também a ser psicológico.

Antigamente, uma catástrofe ocorrida a milhares de quilômetros chegava até nós como uma notícia. Hoje, recebemos imagens, vídeos, relatos de sobreviventes, números de mortos e desaparecidos e cenas de destruição diretamente em nossos telefones. Muitas vezes, acompanhamos o sofrimento humano quase no mesmo instante em que ele acontece.

O cérebro humano, entretanto, não foi preparado para processar diariamente o sofrimento de milhões de pessoas em tempo real. A exposição constante pode produzir medo, ansiedade, tristeza e uma sensação permanente de insegurança. Mesmo estando fisicamente distante de uma tragédia, podemos sentir como se ela estivesse acontecendo ao nosso lado.

É preciso, portanto, aprender a conviver com a informação sem permitir que ela domine nossa vida.

Outro problema é a velocidade com que informações não verificadas circulam durante as tragédias. Números incorretos, imagens antigas, vídeos fora de contexto e teorias sem fundamento podem espalhar medo e confusão. Em momentos de emergência, uma informação falsa pode provocar comportamentos perigosos.

Por isso, precisamos desenvolver uma verdadeira responsabilidade digital. Antes de compartilhar uma notícia, devemos verificar sua origem, data e confirmação por fontes confiáveis. A rapidez da comunicação não pode ser mais importante do que a verdade.

Mas como o ser humano pode lidar com um mundo aparentemente cada vez mais ameaçado por catástrofes?

A primeira resposta não deve ser o medo, mas a preparação.

Governos, empresas, escolas e famílias precisam conhecer os riscos existentes em suas regiões, estabelecer planos de emergência, definir rotas de saída, manter sistemas de comunicação e preparar as comunidades para agir diante de situações críticas. A prevenção e os sistemas de alerta podem salvar milhares de vidas.

Preparar-se para uma emergência não significa acreditar que uma tragédia necessariamente acontecerá. Significa reconhecer que vivemos em um planeta dinâmico e que a prevenção é uma forma de responsabilidade.

Também precisamos aprender a cuidar da nossa saúde emocional diante da avalanche de notícias.

É importante estar informado, mas não é saudável viver permanentemente conectado às tragédias do mundo. Precisamos estabelecer limites para o consumo de notícias, especialmente de imagens violentas e situações de sofrimento. Ter solidariedade não significa carregar emocionalmente todas as dores do planeta.

É necessário recuperar espaços de silêncio, convivência, contato com a natureza, diálogo e presença. A tecnologia deve servir ao ser humano, e não transformar sua existência em uma sucessão interminável de alertas e tragédias.

Nesse contexto, a palavra que talvez melhor defina o futuro seja resiliência.

Uma sociedade resiliente não é aquela que acredita estar protegida de todos os perigos. É aquela que reconhece sua vulnerabilidade e se prepara para enfrentar as adversidades. Uma cidade resiliente é aquela que planeja suas construções, protege suas áreas de risco, possui sistemas de alerta e consegue reconstruir-se depois de uma tragédia.

O mesmo princípio vale para cada indivíduo. Resiliência significa desenvolver conhecimento, equilíbrio emocional, capacidade de adaptação e solidariedade.

Os acontecimentos no Nepal e os terremotos registrados em diferentes regiões do planeta nos lembram de uma verdade fundamental: a humanidade não controla a dinâmica da Terra.

Não podemos impedir que um terremoto aconteça, que uma montanha desabe ou que um rio transborde. Entretanto, podemos reduzir seus impactos. Podemos planejar melhor nossas cidades, preservar o meio ambiente, investir em ciência, melhorar os sistemas de alerta, preparar as comunidades e combater a desinformação.

Mais do que nunca, precisamos substituir o sentimento de impotência pelo espírito de preparação.

O futuro não precisa ser uma profecia de catástrofes. Ele pode ser uma oportunidade para construirmos uma humanidade mais consciente, solidária e preparada.

A Terra continuará sendo dinâmica. O que precisamos construir é a capacidade humana de conviver com essa realidade.

A verdadeira estabilidade do planeta talvez não esteja em impedir que a Terra se mova, mas em preparar a humanidade para quando ela se mover.

E essa responsabilidade não pertence apenas aos governos ou à ciência.

Pertence a cada um de nós.

 

 Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

 

PLANETA DOS MACACOS - A FICÇÃO QUE NOS FAZ PENSAR SOBRE O FUTURO DA HUMANIDADE

 Existem filmes que ultrapassam o entretenimento e permanecem como instrumentos de reflexão. “Planeta dos Macacos” é um deles. Desde sua primeira versão, em 1968, a obra apresenta uma sociedade na qual os seres humanos perderam sua posição dominante e os macacos passaram a controlar o planeta. Por trás da ficção científica existe, porém, uma pergunta profundamente humana: o que poderá acontecer conosco se não formos capazes de controlar nossas próprias escolhas?

A história surgiu em um período marcado por guerras, conflitos políticos, desigualdades e medo de uma destruição nuclear. Por isso, os filmes nunca falaram apenas de macacos. Falaram de poder, intolerância, ciência, preconceito, violência e da dificuldade do ser humano em aprender com seus próprios erros.

Quase seis décadas depois, algumas dessas questões continuam presentes.

O mundo atual vive uma combinação de instabilidade política, conflitos internacionais, desigualdades econômicas, transformações sociais e uma revolução tecnológica sem precedentes. Países disputam influência, governos enfrentam dificuldades para responder às novas demandas sociais e a economia mundial convive com incertezas.

Ao mesmo tempo, a tecnologia avança em velocidade impressionante.

Inteligência artificial, robótica, biotecnologia, computação quântica, exploração espacial e comunicação instantânea estão modificando profundamente a maneira como trabalhamos, consumimos informações e nos relacionamos.

A grande contradição é que a humanidade nunca foi tão tecnologicamente poderosa e, ao mesmo tempo, continua enfrentando problemas que parecem antigos: guerras, pobreza, fome, intolerância, desigualdade e disputas pelo poder.

É nesse ponto que “Planeta dos Macacos” volta a fazer sentido.

O verdadeiro perigo não está nos macacos

A grande ameaça apresentada pela ficção não é necessariamente a possibilidade de os macacos dominarem os seres humanos. O alerta é sobre aquilo que os próprios seres humanos podem fazer contra sua civilização.

Quando a política transforma adversários em inimigos, quando o diálogo desaparece e quando cada grupo acredita possuir sozinho a verdade, a sociedade começa a perder a capacidade de construir soluções.

O problema não está em possuir posições políticas diferentes. A democracia depende da diversidade de ideias. O perigo surge quando deixamos de reconhecer no outro um cidadão com direito a pensar de maneira diferente.

As redes sociais aumentaram ainda mais esse problema. Informações circulam instantaneamente, mas muitas vezes somos apresentados apenas àquilo que confirma nossas próprias opiniões. O debate transforma-se em confronto e a busca pela verdade é substituída pela necessidade de vencer.

Uma sociedade que transforma todas as diferenças em guerras internas corre o risco de perder a capacidade de construir seu futuro.

A economia e a tecnologia diante de uma nova realidade

Também no campo econômico estamos diante de grandes transformações.

A tecnologia pode aumentar a produtividade, criar novas profissões e gerar oportunidades extraordinárias. Porém, pode igualmente ampliar desigualdades se seus benefícios ficarem concentrados em poucas empresas, países ou indivíduos.

A inteligência artificial representa talvez a maior transformação tecnológica deste início de século. Ela poderá substituir algumas tarefas, criar outras e modificar profissões inteiras.

Mas a questão principal não é saber se a tecnologia será capaz de fazer tudo aquilo que imaginamos.

A pergunta mais importante será:

seremos capazes de utilizar esse poder com responsabilidade?

A tecnologia não possui, sozinha, valores morais. Ela depende das escolhas de quem a desenvolve e utiliza.

Uma mesma ferramenta pode ser usada para educar, curar e facilitar a vida ou para manipular informações, aumentar desigualdades e produzir conflitos.

Portanto, o futuro da tecnologia será, antes de tudo, uma questão de responsabilidade humana.

E o Universo?

Enquanto enfrentamos nossos problemas na Terra, a humanidade começa a olhar cada vez mais para o espaço.

A exploração da Lua, os projetos para futuras missões a Marte, os novos telescópios e a descoberta de milhares de exoplanetas demonstram que nosso conhecimento sobre o Universo cresce rapidamente.

É possível imaginar que, no médio prazo, bases permanentes possam surgir na Lua e que missões humanas a Marte se torne realidade. No longo prazo, tecnologias ainda inexistentes poderão permitir viagens mais distantes e uma presença humana além da Terra.

Talvez descubramos novos recursos, novos ambientes habitáveis ou até mesmo evidências de vida fora do nosso planeta.

São possibilidades que, hoje, pertencem parcialmente ao campo da especulação, mas que mostram como o futuro pode ser muito mais extraordinário do que conseguimos imaginar.

Entretanto, existe uma condição fundamental:

antes de conquistar outros mundos, precisamos aprender a cuidar deste.

Não faria sentido utilizar a exploração espacial como fuga dos problemas que nós mesmos criamos na Terra.

A expansão da humanidade pelo Universo deveria representar uma evolução da civilização, e não simplesmente a transferência de nossos conflitos para outros lugares.

O verdadeiro “Planeta dos Macacos”

Talvez a grande mensagem da história seja que o maior perigo para a humanidade não seja uma espécie diferente assumir nosso lugar.

O verdadeiro perigo é nós mesmos destruirmos as condições que permitem nossa existência.

Guerras, intolerância, desigualdade extrema, destruição ambiental, uso irresponsável da tecnologia e falta de planejamento podem comprometer o futuro de nossa civilização.

Mas ainda existe uma escolha.

Podemos utilizar a ciência para preservar o planeta. A tecnologia para melhorar a vida. A economia para gerar oportunidades. A política para construir soluções. A educação para formar cidadãos mais conscientes. E a exploração espacial para ampliar o conhecimento e os horizontes da humanidade.

O futuro não precisa ser aquele apresentado pela ficção.

Podemos construir um mundo diferente.

Talvez, nas próximas décadas, a humanidade esteja cada vez mais integrada à inteligência artificial, à robótica e à biotecnologia. Talvez nossos descendentes caminhem na Lua ou em Marte. Talvez descubramos formas de vida em outros lugares do Universo.

Não sabemos exatamente o que acontecerá.

Mas sabemos que as decisões tomadas hoje ajudarão a determinar o mundo de amanhã.

“Planeta dos Macacos” nos apresenta uma humanidade que perdeu o controle do próprio destino.

Nós ainda temos a oportunidade de escrever uma história diferente.

Podemos continuar presos às disputas do presente ou começar a construir uma visão de futuro.

Porque, no final, talvez essa seja a principal lição da ficção científica: o futuro não está escrito. Ele é construído pelas escolhas que fazemos no presente.

E se o Universo oferece possibilidades praticamente infinitas, cabe à humanidade demonstrar que possui maturidade suficiente para explorá-las.

Antes de conquistar outros planetas, precisamos aprender a conviver em paz no nosso.

Esse talvez seja o verdadeiro desafio da nossa geração: garantir que, quando a humanidade finalmente alcançar outros mundos, ainda tenha preservado aquilo que a torna verdadeiramente humana.

  Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

20/08/2026

Por que tantas empresas estão quebrando no Brasil?

 

Economia, política, mudanças no comportamento do consumidor e a revolução digital estão produzindo uma das maiores transformações do ambiente empresarial brasileiro

Há um fenômeno preocupante acontecendo no Brasil: empresas tradicionais, algumas construídas ao longo de décadas, estão fechando suas portas, reduzindo estruturas, demitindo trabalhadores ou recorrendo à recuperação judicial. E não se trata apenas de empresas mal administradas. Em muitos casos, estamos diante da combinação de fatores econômicos, financeiros, políticos e tecnológicos que modificaram profundamente as regras do jogo empresarial.

Os números ajudam a dimensionar o problema. No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou 5.931 pedidos de recuperação judicial, o maior volume da série histórica do indicador criado em 2023. Entre o segundo trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2026, o número de recuperações judiciais cresceu 65,8%.

O caso recente das Casas Bahia tornou-se um dos símbolos dessa transformação. A companhia entrou com pedido de recuperação judicial com uma dívida reconhecida de R$ 17,3 bilhões e anunciou o fechamento de quase 300 lojas.

Mas por que isso está acontecendo?

O primeiro problema: o dinheiro ficou caro

Uma empresa pode ter bons produtos, clientes e uma marca conhecida, mas dificilmente sobrevive quando o custo do dinheiro se torna excessivamente elevado.

A Selic permanece em patamar de 14% ao ano, tornando empréstimos, financiamentos, capital de giro e renegociação de dívidas muito mais caros. Para empresas altamente endividadas, uma parcela significativa da receita deixa de financiar a operação e passa a servir simplesmente para pagar juros.

Cria-se então um círculo perigoso:

menos vendas → menor geração de caixa → necessidade de crédito → juros maiores → aumento da dívida → redução dos investimentos → perda de competitividade.

E quando esse ciclo se prolonga, até uma empresa que possui uma operação comercialmente interessante pode entrar em colapso financeiro.

O consumidor também mudou

Outro elemento fundamental é a transformação do consumidor brasileiro.

O cliente de hoje pesquisa antes de comprar. Compara preços em segundos. Consulta avaliações. Procura promoções. Compra pelo celular. Recebe produtos em casa. Utiliza marketplaces e acompanha influenciadores digitais.

A internet retirou das empresas físicas uma vantagem que durante décadas parecia quase absoluta: a proximidade geográfica com o consumidor.

Antes, uma loja precisava estar localizada em uma rua movimentada ou em um shopping para alcançar determinado público.

Hoje, uma empresa localizada em qualquer cidade pode vender para consumidores de praticamente todo o país.

Essa mudança democratizou o mercado, mas também aumentou brutalmente a concorrência.

A loja física deixou de ser suficiente

Durante décadas, o modelo empresarial brasileiro esteve baseado em uma lógica relativamente simples:

alugar ou comprar um imóvel → montar uma loja → contratar vendedores → colocar produtos nas prateleiras → esperar o consumidor.

Esse modelo funcionou durante muito tempo.

Mas o mundo mudou.

O consumidor passou a circular simultaneamente entre Instagram, WhatsApp, marketplaces, aplicativos, sites e lojas físicas.

O comércio eletrônico brasileiro continua crescendo e, em 2026, a integração entre canais físicos e digitais já é considerada essencial para o varejo.

A loja física, portanto, não desapareceu. Ela mudou de função.

Ela precisa oferecer experiência, relacionamento, confiança, demonstração do produto, atendimento especializado e integração com o ambiente digital.

Uma loja que existe apenas para vender aquilo que o consumidor pode encontrar mais barato na internet está diante de um problema estratégico.

O paradoxo da internet

A internet criou oportunidades extraordinárias para os pequenos empresários, mas também criou gigantescos concorrentes.

Uma pequena empresa pode hoje vender para o Brasil inteiro.

Por outro lado, precisa disputar a atenção do consumidor com empresas nacionais e internacionais que possuem enorme capacidade financeira, logística sofisticada, tecnologia, inteligência artificial, publicidade digital e escala.

A concorrência deixou de ser apenas entre empresas da mesma cidade.

O comércio de uma cidade passou a competir com o comércio do Brasil e, em muitos segmentos, com empresas do mundo inteiro.

Esse talvez seja um dos maiores choques enfrentados pelo comércio tradicional.

O custo da estrutura física

Existe ainda outro problema pouco discutido.

Uma empresa tradicional carrega uma estrutura pesada: aluguel, condomínio, IPTU, energia elétrica, segurança, manutenção, estoque, funcionários, mobiliário, equipamentos e tributos.

Uma operação digital pode, em determinados segmentos, funcionar com uma estrutura física muito menor.

Isso não significa que o comércio eletrônico seja barato. Ele possui custos próprios — tecnologia, marketing digital, logística, plataformas, devoluções, fretes e atendimento.

Mas a lógica econômica é diferente.

É justamente essa diferença que está obrigando muitas empresas tradicionais a reverem suas estruturas.

O fechamento de quase 300 lojas anunciado pelas Casas Bahia é um exemplo emblemático dessa transformação. Ao mesmo tempo em que reduz sua presença física, a companhia busca concentrar esforços em canais e operações considerados mais rentáveis.

O problema político e a insegurança para investir

Existe também uma dimensão política.

Empresas precisam de previsibilidade.

Investimentos importantes não são feitos pensando apenas no presente. Uma fábrica, uma loja, um centro de distribuição ou uma nova operação podem exigir milhões de reais e planejamento para dez ou vinte anos.

Quando existe percepção de instabilidade fiscal, mudanças frequentes nas regras, aumento da carga tributária, incerteza regulatória ou forte polarização política, o empresário tende a adotar uma postura defensiva.

Em vez de investir, contrata menos.

Em vez de abrir uma filial, espera.

Em vez de assumir uma dívida para crescer, preserva caixa.

Em vez de expandir, reduz custos.

A economia perde dinamismo.

E existe uma questão ainda mais importante: não podemos atribuir todos os problemas empresariais exclusivamente ao governo de plantão.

O Brasil carrega problemas estruturais há décadas: juros historicamente elevados, sistema tributário complexo, burocracia, insegurança jurídica, baixa produtividade, infraestrutura deficiente e dificuldades de acesso ao crédito.

Governos diferentes podem agravar ou amenizar essas questões, mas muitas delas ultrapassam ciclos eleitorais.

A inadimplência fecha o círculo

Não podemos esquecer que empresas vendem para pessoas.

Quando as famílias enfrentam dificuldades financeiras, o consumo diminui ou passa a ser financiado por crédito.

A inadimplência das famílias aumenta e, consequentemente, as empresas também passam a receber com maior dificuldade.

O problema se espalha pela cadeia:

família endividada → menor consumo → comércio vende menos → empresa reduz produção → fornecedores recebem menos → empregos são afetados → renda diminui → consumo cai novamente.

Projeções recentes apontam continuidade da pressão sobre a capacidade de pagamento das famílias brasileiras.

Mas há também erros empresariais

Seria injusto colocar toda a responsabilidade no cenário econômico.

Algumas empresas quebram porque demoraram para perceber que o mercado havia mudado.

Continuaram investindo em lojas quando o consumidor estava migrando para o digital.

Mantiveram estoques elevados.

Assumiram dívidas para financiar expansão.

Não acompanharam seus indicadores financeiros.

Confundiram faturamento com lucro.

E, talvez o erro mais grave, confundiram tradição com garantia de futuro.

Uma marca conhecida não significa necessariamente uma empresa preparada para o amanhã.

A história empresarial brasileira possui inúmeros exemplos de companhias que foram gigantes em determinado momento e desapareceram porque não conseguiram acompanhar as transformações do mercado.

O futuro não será físico nem digital. Será híbrido.

A grande questão não é escolher entre loja física ou internet.

É compreender que o consumidor já vive nos dois mundos.

Ele pode descobrir um produto pelo Instagram, pesquisar no Google, comparar preços em um marketplace, conversar com o vendedor pelo WhatsApp, visitar uma loja para experimentar o produto e finalmente comprar pelo celular.

O empresário que compreender essa jornada terá vantagem.

A loja física poderá funcionar como showroom, centro de experiência, ponto de retirada, assistência técnica e espaço de relacionamento.

A internet será o ambiente de descoberta, comparação, venda e relacionamento.

O futuro pertence à integração.

A inteligência artificial acelera a transformação

E ainda estamos apenas no começo.

A inteligência artificial está mudando marketing, atendimento, vendas, logística, administração, análise financeira e relacionamento com clientes.

Uma pequena empresa que utiliza adequadamente ferramentas de IA pode produzir campanhas, analisar dados, responder clientes, organizar processos e automatizar tarefas que antes exigiam equipes inteiras.

Isso significa que a tecnologia não está apenas criando novos negócios.

Ela está diminuindo a necessidade de determinadas estruturas tradicionais.

E essa transformação inevitavelmente produzirá vencedores e perdedores.

A empresa do futuro será mais leve

Talvez uma das principais lições desse momento seja a necessidade de abandonar a ideia de que uma grande empresa precisa necessariamente ter uma grande estrutura física.

O futuro empresarial provavelmente será marcado por organizações mais enxutas, tecnológicas, flexíveis e orientadas por dados.

Empresas precisarão conhecer profundamente seus clientes, controlar rigorosamente o caixa, utilizar tecnologia, desenvolver pessoas e ter capacidade de mudar rapidamente.

Não será mais suficiente perguntar:

"Quanto estamos vendendo?"

Será necessário perguntar:

"Quanto estamos ganhando, quanto custa nossa estrutura, quanto custa nosso cliente e quanto tempo conseguimos sobreviver se as vendas caírem?"

Essa mudança de mentalidade pode determinar a sobrevivência.

Não estamos apenas diante de uma crise. Estamos diante de uma mudança de era.

Talvez seja esse o ponto central.

As empresas que estão quebrando não estão necessariamente desaparecendo apenas por causa da crise econômica.

Muitas estão desaparecendo porque o mundo empresarial que as criou deixou de existir.

Os juros altos aceleram o problema.

A inflação pressiona.

A política gera incerteza.

A inadimplência reduz o consumo.

A internet modifica o comportamento do consumidor.

Os marketplaces aumentam a concorrência.

A inteligência artificial transforma a produtividade.

E as lojas físicas precisam justificar sua existência de uma maneira completamente diferente.

Por isso, a pergunta mais importante para um empresário brasileiro não deveria ser apenas:

"Como sobreviver à crise?"

Talvez seja:

"Que empresa preciso construir para sobreviver ao mundo que está nascendo?"

Essa é uma pergunta muito mais difícil.

Mas também é a pergunta que pode separar as empresas que apenas resistirão às dificuldades daquelas que conseguirão crescer no novo Brasil.

Porque crises econômicas passam.

Governos mudam.

Juros sobem e descem.

Tecnologias são substituídas.

Mas uma coisa permanece: a empresa que consegue compreender o consumidor, adaptar-se ao mercado e administrar com responsabilidade sempre terá maiores possibilidades de permanecer viva.

No Brasil de hoje, sobreviver já é um desafio.

Mas reinventar-se deixou de ser uma opção. Tornou-se uma condição para continuar existindo.

 Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

A TELA DA VIDA! DIFERENÇA ENTRE A CRIANÇA NAS DÉCADAS DE 80/90 E HOJE

 

Ser criança nunca foi uma experiência igual para todas as gerações. Cada época constrói sua própria infância, marcada pela cultura, pela tecnologia, pelos valores familiares e pela maneira como a sociedade enxerga o tempo, a educação e as relações humanas. Comparar a infância das décadas de 1980 e 1990 com a infância atual é, portanto, mais do que recordar brincadeiras antigas. É refletir sobre o quanto mudamos — e sobre aquilo que talvez tenhamos perdido pelo caminho.

Para quem viveu a infância nos anos 1980 e 1990, havia uma liberdade que hoje parece quase inimaginável. Depois da escola, a rua era uma extensão da casa. Bicicletas, bolas, carrinhos, bonecas, pipas, amarelinha, esconde-esconde e pega-pega faziam parte da rotina. As crianças saíam para brincar e, muitas vezes, só voltavam quando alguém gritava da janela ou da porta: “Está na hora de entrar!”.

Não havia necessidade de marcar previamente um encontro pelo celular. Bastava aparecer na rua. Os amigos estavam lá.

A televisão também fazia parte da infância, mas ocupava um espaço diferente. Havia horários para assistir aos desenhos, aos programas infantis e às novelas. Quando terminava o programa preferido, simplesmente não havia outra opção. Não existiam streaming, vídeos infinitos ou milhares de conteúdos disponíveis a qualquer momento.

Esperar fazia parte da vida.

Esperava-se pelo próximo capítulo, pelo programa da semana seguinte, pela visita de um amigo, pelas férias, pelo aniversário e até pelas fotografias que seriam reveladas depois de levadas para a loja. A ansiedade fazia parte da experiência, mas também ensinava, silenciosamente, a lidar com a espera.

Hoje, uma criança pode carregar no bolso um universo inteiro. Celular, tablet, videogame, plataformas de streaming, redes sociais, inteligência artificial e jogos on-line oferecem entretenimento praticamente ilimitado. A informação chega em segundos. A comunicação acontece instantaneamente. Os amigos podem estar a quilômetros de distância e, ainda assim, conversar diariamente.

É uma infância com possibilidades extraordinárias.

Mas também é uma infância cercada por estímulos.

A criança contemporânea é exposta a uma quantidade de informações que nenhuma geração anterior conheceu tão cedo. Imagens, sons, vídeos, notificações, jogos, publicidade e conteúdos produzidos especialmente para prender sua atenção disputam permanentemente seus olhos e sua mente.

Nas décadas de 1980 e 1990, o tédio era comum. E talvez esse seja um dos grandes contrastes entre as duas épocas.

Quando não havia nada para fazer, a criança precisava inventar alguma coisa. Uma caixa de papelão podia virar uma casa. Um pedaço de madeira podia transformar-se em espada. Um lençol podia virar uma cabana. O quintal podia ser uma floresta, um estádio ou um planeta desconhecido.

O imaginário precisava trabalhar.

Hoje, muitas vezes, basta tocar na tela.

Isso não significa que a infância atual seja pior. Seria injusto romantizar o passado. As crianças de décadas anteriores também enfrentavam dificuldades. Havia menos acesso à informação, menos recursos educacionais e tecnológicos e, em muitas famílias, maior ausência dos adultos devido às exigências do trabalho. Nem tudo era idílico.

A diferença é que os riscos eram outros.

A criança que brincava na rua estava mais exposta aos perigos físicos, enquanto a criança de hoje pode estar protegida dentro de casa e, ao mesmo tempo, exposta a riscos virtuais, excesso de informação, comparação social e relações digitais que os adultos nem sempre conseguem acompanhar.

Também mudou a relação com os pais.

Nas décadas de 1980 e 1990, era comum uma educação mais baseada em regras claras e autoridade. “Porque eu sou seu pai” ou “porque eu sou sua mãe” muitas vezes era uma explicação suficiente. Hoje, felizmente, avançamos em muitos aspectos da educação, valorizando mais o diálogo, a escuta e o respeito à individualidade da criança.

Mas esse avanço também trouxe novos desafios.

Pais e mães vivem uma rotina acelerada, muitas vezes divididos entre trabalho, responsabilidades domésticas e preocupações financeiras. E, paradoxalmente, em uma época em que temos mais ferramentas para nos comunicar, podemos ter menos tempo para simplesmente estar juntos.

Talvez essa seja uma das maiores questões da infância contemporânea: a presença física nem sempre significa presença emocional.

Uma criança pode estar sentada ao lado dos pais enquanto todos olham para suas próprias telas.

Na infância de antigamente, a mesa de jantar, a conversa na calçada, a visita à casa dos avós e as brincadeiras coletivas eram oportunidades naturais de convivência. Hoje, essas experiências precisam ser protegidas e, muitas vezes, planejadas.

Há ainda outra diferença importante: a relação com o tempo.

A criança dos anos 1980 e 1990 aprendia naturalmente que algumas coisas demoravam. O mundo tinha um ritmo mais lento. Hoje, estamos acostumados à velocidade. Queremos respostas imediatas, entregas rápidas, entretenimento instantâneo e comunicação em tempo real.

E as crianças aprendem esse comportamento desde muito cedo.

Talvez o grande desafio dos adultos seja ensinar que nem tudo precisa acontecer imediatamente.

Ensinar uma criança a esperar, ouvir, observar, brincar, conversar, caminhar, criar e até ficar entediada pode ser tão importante quanto ensiná-la a utilizar a tecnologia.

Porque tecnologia não é inimiga da infância.

O problema começa quando ela ocupa o espaço que deveria pertencer à experiência humana.

Uma criança precisa conhecer o mundo digital, mas também precisa conhecer a terra. Precisa aprender a pesquisar na internet, mas também precisa aprender a conversar olhando nos olhos. Precisa jogar videogame, mas também precisa correr. Precisa assistir a desenhos, mas também precisa inventar suas próprias histórias.

Precisa saber usar uma tela — sem permitir que a tela use seu tempo.

Talvez a melhor infância possível esteja justamente no equilíbrio entre esses dois mundos.

Podemos oferecer às crianças de hoje tudo aquilo que a tecnologia proporciona sem abandonar aquilo que havia de melhor nas décadas passadas: o contato com a natureza, a convivência, a criatividade, a simplicidade, a liberdade responsável e a capacidade de transformar pouco em muito.

Quem viveu os anos 1980 e 1990 talvez carregue consigo uma saudade que não é apenas das brincadeiras. É saudade de um tempo em que a vida parecia ter mais espaço entre uma coisa e outra.

Mas o objetivo não deve ser voltar ao passado.

Devemos aprender com ele.

A infância de hoje precisa da tecnologia, mas também precisa de quintais. Precisa de informação, mas também de silêncio. Precisa de conexão digital, mas sobretudo de vínculos verdadeiros. Precisa de brinquedos sofisticados, mas não pode perder a capacidade de transformar um simples pedaço de papel em uma aventura.

No fundo, talvez a maior diferença entre ser criança ontem e ser criança hoje não esteja nos brinquedos, nos celulares ou nos videogames.

Esteja na quantidade de tempo que a criança ainda consegue ter para simplesmente ser criança.

E essa responsabilidade não é dela.

É nossa.

Porque uma infância saudável não se constrói apenas com aquilo que damos às crianças. Constrói-se, principalmente, com o tempo que decidimos compartilhar com elas.

No futuro, quando as crianças de hoje forem adultas, talvez sintam saudade de alguma coisa que ainda nem sabem nomear.

Cabe a nós garantir que, entre tantas telas, notificações e tecnologias, elas também tenham boas lembranças para guardar.

 Vitor M S Marques

Executivo de RH, Palestrante, Jornalista e Terapeuta Radiestésico

O BRASIL QUE CABE EM NOSSAS MÃOS

  Há momentos em que um país inteiro parece caber dentro de uma pequena tela. Diante de uma urna, milhões de brasileiros estarão sozinhos ...