Tem
dias em que parece que tudo resolveu acontecer ao mesmo tempo.
O
despertador toca e já estamos cansados. O trânsito está parado, o celular não
para de receber mensagens, uma conta venceu, o chefe cobrou aquele trabalho,
alguém da família está precisando de atenção e, para completar, aquela notícia
que esperávamos não chegou.
É
a vida como ela é.
Não
existe manual de instruções para atravessar os dias difíceis. Todos nós, em
algum momento, enfrentamos problemas que não estavam nos nossos planos. E
talvez uma das poucas coisas que podemos escolher seja a maneira como vamos
olhar para aquilo que está acontecendo.
Não
estou falando daquele otimismo exagerado que manda "pensar positivo"
quando alguém está passando por um problema sério. Isso pode até ser irritante.
Quem perdeu o emprego não precisa ouvir simplesmente que "vai dar tudo
certo". Quem perdeu alguém querido precisa primeiro de acolhimento, não de
frases prontas.
Pensamento
positivo é algo mais simples e mais possível.
É
acordar depois de uma noite mal dormida e pensar: "Hoje não estou no meu
melhor, mas vou fazer o que estiver ao meu alcance."
É
receber uma conta maior do que esperava e, em vez de entrar em desespero,
sentar, fazer as contas e procurar uma solução.
É
ouvir uma crítica no trabalho e perguntar se existe alguma coisa que possa ser
aprendida com aquilo.
É
discutir com alguém que amamos e, depois da raiva passar, ter a humildade de
procurar uma conversa.
É
envelhecer e perceber que talvez o corpo já não acompanhe alguns desejos da
mesma maneira, mas que ainda existem experiências, pessoas, lugares e sonhos
esperando por nós.
É
perder um projeto e compreender que um projeto fracassado não significa que nós
fracassamos.
Parece
pouco. Mas não é.
Nossa
cabeça participa diariamente da maneira como enfrentamos os acontecimentos. Se
repetimos o tempo todo que nada vai dar certo, que ninguém presta, que tudo
está perdido e que não temos mais saída, acabamos construindo uma espécie de
prisão dentro de nós mesmos.
Quando
conseguimos olhar para a mesma realidade procurando possibilidades, o problema
continua existindo, mas nossa relação com ele muda.
E
isso pode fazer muita diferença.
Imagine
uma pessoa que está procurando emprego. Ela pode passar o dia repetindo:
"ninguém vai me contratar, estou velho demais, não tenho
oportunidade". Ou pode reconhecer a dificuldade e começar a agir:
atualizar o currículo, conversar com antigos colegas, aprender alguma coisa
nova, procurar empresas, pedir indicações.
A
situação não mudou imediatamente.
Mas
mudou a atitude diante dela.
O
mesmo acontece dentro de casa. Às vezes, uma família passa semanas convivendo
com pequenas irritações: a televisão ligada demais, a louça na pia, alguém que
não ajudou, outro que chegou tarde. São coisas pequenas que, acumuladas,
transformam a casa em um campo de batalha.
Talvez
seja necessário, em determinado momento, alguém respirar fundo e dizer:
"Vamos
parar de procurar quem está errado e tentar descobrir como podemos ficar
bem."
Pensamento
positivo também pode ser isso.
Não
significa deixar de reclamar quando algo está errado. Não significa aceitar
injustiças. Não significa fingir que problemas não existem.
Significa
não permitir que cada problema transforme nossa vida inteira em um problema.
Há
pessoas que enfrentam dificuldades enormes e ainda conseguem encontrar motivos
para agradecer. Não porque tenham uma vida perfeita, mas porque aprenderam a
perceber aquilo que continua existindo apesar das dificuldades.
Um
café tomado tranquilamente pela manhã.
Uma
conversa com um amigo.
O
abraço de um filho. A mensagem de um neto. Uma caminhada. O sol entrando pela
janela. Uma árvore florescendo no quintal. A oportunidade de começar novamente.
Talvez
felicidade não seja ter todos os problemas resolvidos. Talvez seja também
aprender a reconhecer os pequenos momentos bons enquanto resolvemos os
problemas que precisam ser resolvidos.
A
vida cotidiana é feita dessas pequenas batalhas.
Às
vezes vencemos. Às vezes perdemos. Em algumas manhãs acordamos cheios de
energia; em outras, precisamos de um pouco mais de tempo para encontrar forças.
E
tudo bem.
Não
precisamos ser positivos o tempo inteiro. Precisamos apenas tomar cuidado para
que os pensamentos negativos não se transformem na nossa única maneira de
enxergar a vida.
Porque
uma dificuldade pode ocupar uma parte do nosso dia sem ocupar toda a nossa
existência.
Uma
porta fechada pode fazer parte da nossa história sem determinar o seu final.
Um
dia ruim continua sendo apenas um dia ruim.
Amanhã
pode haver outra oportunidade.
Talvez
seja essa a verdadeira força do pensamento positivo: não mudar imediatamente
aquilo que acontece fora de nós, mas mudar a disposição com que enfrentamos
aquilo que a vida coloca diante de nós.
E,
no cotidiano, isso já pode representar uma grande diferença.
Afinal,
não escolhemos todas as cartas que a vida coloca em nossas mãos.
Mas
podemos escolher, dentro das possibilidades que temos, como vamos jogar a
próxima rodada
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