28/05/2026

PESSOAS INESCRUPULOSAS MATAM – FALSIFICAÇÕES!

 Em um mundo onde a confiança do consumidor é essencial para a sobrevivência dos mercados, a presença de pessoas inescrupulosas que falsificam alimentos representa uma ameaça grave e muitas vezes invisível à saúde pública. Esses indivíduos, movidos exclusivamente pelo lucro, não hesitam em manipular, adulterar ou falsificar produtos de consumo alimentar ou de ingestão humano, colocando em risco a vida de milhares de pessoas todos os dias.

 A falsificação de alimentos / bebidas pode ocorrer de diversas formas: adulteração de ingredientes, uso de substâncias proibidas, rotulagem enganosa, ou até mesmo a imitação completa de marcas conhecidas. Leites diluídos, azeites misturados com óleos de qualidade inferior, carnes vencidas reprocessadas, e bebidas alcoólicas produzidas com substâncias tóxicas são apenas alguns exemplos de práticas criminosas cada vez mais comuns.

Esses produtos, muitas vezes distribuídos em mercados informais ou até mesmo em estabelecimentos comerciais regulares, escapam da fiscalização e alcançam o consumidor final sem qualquer garantia de segurança.

 A falsificação de bebidas alcoólicas é um crime cada vez mais comum em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Por trás de rótulos bonitos e garrafas aparentemente originais, podem estar produtos adulterados, perigosos e potencialmente letais. Esse tipo de fraude não só engana o consumidor, como coloca em risco direto a sua saúde — e, em muitos casos, sua vida

Uma pesquisa do Núcleo de Pesquisa e Estatística da Fhoresp, divulgada em abril de 2025, estimou que 36% das bebidas alcoólicas comercializadas no Brasil são fraudadas, falsificadas ou contrabandeadas. vinhos e destilados são especialmente afetados. Cerca de 1 em cada 5 garrafas de vodca vendidas estaria adulterada. Estima-se que o mercado ilegal de álcool tenha gerado uma perda de R$ 28 bilhões em 2024. No estado de São Paulo foram registrados 9 casos de intoxicação por metanol em 25 dias recentes, atribuídos ao consumo de bebida alcoólica adulterada.

 A motivação por trás dessas ações é quase sempre financeira. Ao reduzir custos por meio da falsificação, os responsáveis conseguem obter lucros significativamente maiores do que se seguissem os padrões legais de produção e comercialização. No entanto, esse ganho ilícito tem um custo altíssimo para a sociedade.

As consequências do consumo de alimentos falsificados são diversas e podem variar de problemas gastrointestinais leves a intoxicações graves, reações alérgicas, doenças crônicas e até a morte. Grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças pré-existentes, são especialmente afetados.

O combate à falsificação de alimentos / bebidas exige ações coordenadas entre o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil. Fiscalizações mais rigorosas, penas mais severas para os infratores, e investimentos em tecnologias de rastreabilidade e controle de qualidade são fundamentais para reduzir esse tipo de crime.

Além disso, a conscientização da população sobre os riscos de consumir produtos de procedência duvidosa é essencial. O consumidor deve estar atento a sinais de falsificação, como embalagens malfeitas, preços muito abaixo do mercado, ausência de informações obrigatórias nos rótulos e produtos vendidos fora de canais regulares.

Mais do que um crime econômico ou uma infração sanitária, a falsificação de alimentos é uma grave violação ética. Trata-se de um atentado direto contra a saúde e a vida das pessoas. Quem se envolve com esse tipo de prática não apenas burla a lei, mas demonstra total desprezo pela dignidade humana e pela segurança coletiva.

É fundamental que a sociedade como um todo reforce a intolerância a esse tipo de conduta. A denúncia de irregularidades, o apoio a marcas comprometidas com a transparência e a exigência de qualidade devem ser posturas permanentes do consumidor consciente.

 A luta contra a falsificação de alimentos não é apenas uma questão técnica ou legal: é um desafio moral. Proteger a saúde pública exige vigilância, responsabilidade e a atuação firme contra aqueles que, por ganância, colocam vidas em risco. Somente com um esforço conjunto será possível construir um mercado alimentar mais seguro, justo e digno para todos.

 Você cidadão, tem como ajudar. Denuncie falsificadores, eles podem colocar em risco a saúde de seus familiares, amigos e de todas as pessoas. 

É sua obrigação DENUNCIAR


Vitor M S Marques

Executivo de RH, Escritor e Palestrante

Direitos autoriais preservados conforme legislação pertinente. Caso deseje publicar ou utilizar esse conteúdo pode fazer desde que mencione seu autor e fonte da coleta)

27/05/2026

ARTISTA - O QUE SÃO?


 

A FORÇA SILENCIOSA DA GRATIDÃO

 Em um mundo cada vez mais acelerado, onde metas, prazos e resultados ocupam o centro das atenções, a gratidão surge quase como um gesto simples demais — discreto, silencioso, muitas vezes negligenciado. No entanto, é justamente nessa simplicidade que reside uma de suas maiores forças: a capacidade de transformar, de dentro para fora, tanto quem recebe quanto, sobretudo, quem oferece.

 Ser grato não é apenas reconhecer o que se ganha, mas, principalmente, valorizar o que se tem e o que se é. É um estado de consciência que desloca o olhar da escassez para a abundância, da reclamação para o reconhecimento. E quando essa postura se traduz em ações — quando a gratidão se manifesta em ajuda, cuidado e generosidade — algo ainda mais profundo acontece.

 Há uma crença comum de que o maior beneficiado em um ato de ajuda é aquele que recebe. Mas a experiência humana mostra o contrário: quem ajuda é profundamente impactado. Ao estender a mão, ao oferecer tempo, atenção ou apoio, ativamos uma energia interna que nos conecta ao sentido mais essencial da existência — o de pertencimento e contribuição. Ajudar é, em última instância, reafirmar nossa humanidade.



 Esse movimento gera um ciclo virtuoso. A pessoa ajudada se fortalece, mas quem ajuda se expande. Há um ganho emocional, psicológico e até físico. Estudos já demonstram que atos de generosidade reduzem o estresse, aumentam a sensação de propósito e fortalecem vínculos sociais. Mas, para além da ciência, há algo quase intuitivo: fazer o bem faz bem.

A gratidão, então, deixa de ser apenas um sentimento e passa a ser uma prática ativa. Ela se manifesta no olhar atento, na escuta sincera, no gesto espontâneo. Está presente quando escolhemos compreender ao invés de julgar, colaborar ao invés de competir, apoiar ao invés de ignorar.

 E é aqui que reside um ponto essencial: a transformação não começa no macro, nas grandes estruturas ou nas decisões distantes. Ela nasce no micro — nos pequenos ambientes que habitamos diariamente. Na família, no trabalho, na vizinhança, nas relações mais próximas. É nesse espaço que a gratidão pode ser cultivada de forma concreta e contínua.

Cada gesto importa. Cada palavra de reconhecimento, cada atitude de apoio, cada momento de presença genuína contribui para criar um ambiente mais humano, mais acolhedor e mais consciente. E quando esses pequenos espaços se transformam, algo maior inevitavelmente acontece.

 Não é necessário esperar por grandes oportunidades para fazer a diferença. Elas estão nos detalhes do cotidiano. Está na escolha de ser gentil quando seria mais fácil ser indiferente. Está na decisão de ajudar mesmo quando ninguém está olhando. Está no reconhecimento sincero do valor do outro.

Se quisermos um mundo melhor, mais justo e mais empático, o caminho começa perto — muito perto. Começa em nós, nas nossas atitudes mais simples e, ao mesmo tempo, mais poderosas.

 Que possamos, portanto, cultivar a gratidão não apenas como sentimento, mas como ação. Que possamos transformar nossos ambientes imediatos com gestos de generosidade e presença. E, assim, somando pequenas transformações individuais, seremos capazes de construir, juntos, um mundo verdadeiramente diferente.

Vitor M S Marques

Executivo de RH, Escritor e Palestrante

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OS PASSOS QUE DOU E NÃO VEJO! A HISTÓRIA QUE SE FUNDE COM O PRESENTE E FUTURO A SOBREVIVÊNCIA DO SER E NÃO DO APENAS FICAR!



(Publicação Jornal A Voz de Serpins - Serpins - Portuga EM ABR/2026)

Há um silêncio que só as pequenas aldeias sabem guardar. Não é o silêncio do vazio, mas o da memória. Caminhar por Serpins é como folhear um livro antigo, daqueles que não se leem com pressa, mas com respeito — porque cada esquina, cada pedra, cada varanda tem algo a dizer.

 Você que anda por Serpins aprecia sua cidade do ponto de vista da história? Você enxerga que todos seus antepassados pisaram passaram pelos mesmos lugares que você hoje passa? O que pensavam? Qula era a pressa que tinham ou melhor, não tinham? Quais foram as alegrias transportadas em cada passo?

 Num tempo em que as cidades crescem para cima e para dentro, engolindo histórias em nome da pressa, há um valor quase resistente em preservar o que é pequeno. Pequeno no tamanho, mas imenso no significado. Aldeias como Serpins não são apenas pontos no mapa; são arquivos vivos de uma identidade que não cabe em arquivos digitais nem em fotografias apressadas.

 Ali, o tempo não é um inimigo a vencer, mas um companheiro a escutar. As casas antigas, com as suas paredes gastas e portas que rangem, não pedem modernização — pedem continuidade. Porque há uma diferença subtil, mas profunda, entre restaurar e substituir. Restaurar é cuidar da memória; substituir é esquecê-la com aparência de progresso.

Preservar a história de pequenas aldeias portuguesas é, antes de tudo, preservar a nossa própria forma de existir. É garantir que as novas gerações saibam de onde vêm, não apenas em termos geográficos, mas culturais e humanos. É lembrar que houve um tempo em que as relações eram feitas à porta de casa, em conversas demoradas, e não mediadas por ecrãs luminosos.

 Mas há um risco silencioso a rondar estes lugares: o abandono. Não o abandono físico apenas, mas o abandono simbólico — aquele que acontece quando deixamos de valorizar o que não está na moda, o que não gera lucro imediato, o que não se transforma facilmente em tendência. E é precisamente aí que reside o perigo maior: quando uma aldeia deixa de ser vivida, ela começa, pouco a pouco, a desaparecer.

 Ainda assim, há esperança. Ela vive nas mãos de quem decide ficar, de quem regressa, e de quem, mesmo de fora, reconhece o valor de proteger. Preservar não é congelar no tempo; é permitir que a história continue a ser escrita sem apagar as páginas anteriores.

 Serpins, como tantas outras aldeias, não pede muito. Pede apenas que a escutem. Que caminhem devagar pelas suas ruas. Que reparem nos detalhes. Que entendam que ali não está apenas um lugar, mas um legado.

E talvez, ao fazê-lo, descubramos algo que as grandes cidades já nos fizeram esquecer: que o futuro também precisa de raízes.

 

Vitor Manuel Simões Marques

Executivo de RH, palestrante, escritor e jornalista

Campinas / SP – Brasil

(Neto de Serpins)

26/05/2026

QUANDO O SILÊNCIO PESA! A SAÚDE MENTAL NAS CIDADES PEQUENAS

 Existe uma ideia confortável — e equivocada — de que a vida em cidade pequena protege contra os males emocionais do mundo moderno. Como se ruas mais calmas, menos trânsito e rostos conhecidos fossem suficientes para blindar as pessoas da ansiedade, da depressão e do esgotamento. Não são. O sofrimento psíquico não respeita CEP. Ele apenas muda de forma — e, muitas vezes, se esconde melhor.

 Aqui, onde “todo mundo se conhece”, também se julga mais rápido. Há um tipo de vigilância silenciosa que inibe a exposição da dor. Falar sobre saúde mental ainda é, para muitos, sinal de fraqueza. Procurar ajuda pode virar assunto na esquina. E assim, entre o medo do rótulo e a ausência de espaços seguros de escuta, muita gente sofre em silêncio — funcional por fora, exausta por dentro.

 É preciso dizer com clareza: não é normal viver constantemente cansado, irritado, sem motivação ou sem esperança. Não é “frescura”, não é “falta do que fazer”, não é “coisa da cabeça” no sentido pejorativo. É saúde — e saúde se cuida.

O problema é que o autocuidado virou, em muitos casos, um conceito superficial. Confunde-se cuidado com consumo: um dia de descanso, um passeio eventual, um “desligar” momentâneo. Tudo isso ajuda, mas não resolve quando a raiz do problema está mais profunda. Autocuidado de verdade exige constância, consciência e, muitas vezes, coragem.

Coragem para reconhecer limites. Para admitir que não está bem. Para pedir ajuda — profissional, inclusive. Psicoterapia não é luxo, é investimento em qualidade de vida. E, sim, ainda há desafios de acesso em cidades pequenas: poucos profissionais, horários restritos, falta de políticas públicas mais robustas. Mas a dificuldade de acesso não pode se tornar desculpa para negligência contínua.

Também é necessário rever hábitos. O excesso de conexão digital, por exemplo, tem amplificado a sensação de inadequação, comparação e ansiedade. A rotina sem pausas, a sobrecarga de responsabilidades e a falta de momentos reais de descanso criam um terreno fértil para o adoecimento. Não se trata apenas de “ter tempo”, mas de criar tempo para si.

 Pequenas mudanças fazem diferença quando são consistentes: estabelecer limites no uso do celular, priorizar o sono, manter alguma atividade física, cultivar conversas reais, reservar momentos de silêncio. Parece simples — e é. Mas não é fácil, porque exige decisão.

 Há, ainda, um papel coletivo que não pode ser ignorado. Precisamos construir uma cultura local que normalize o cuidado com a saúde mental. Que substitua o julgamento pela escuta. Que incentive o apoio, não o afastamento. Famílias, escolas, empresas e lideranças têm responsabilidade nisso. Não basta falar sobre o tema — é preciso agir de forma coerente.

Cuidar da saúde mental não é um ato egoísta. É um compromisso com a própria vida — e, consequentemente, com a qualidade das relações que construímos. Pessoas emocionalmente saudáveis convivem melhor, produzem melhor, vivem melhor. E cidades são feitas de pessoas.

 Talvez o maior risco não seja adoecer — porque isso, em alguma medida, faz parte da experiência humana. O maior risco é naturalizar o sofrimento e seguir em frente como se estivesse tudo bem. - Não está!

 E reconhecer isso não é fraqueza. É o primeiro passo de força.

Que a gente aprenda, como comunidade e como indivíduo, a se cuidar com a mesma dedicação que cuida das obrigações. Porque, no fim das contas, nenhuma vida organizada compensa uma mente em desordem.

A pergunta que fica não é se você tem tempo para cuidar de si. É: até quando você vai adiar esse cuidado?

 Vitor M S Marques

Executivo de RH, Escritor e Palestrante

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O PODER DO MICRO: A REVOLUÇÃO COMEÇA NA SUA CALÇADA

 Existe uma narrativa confortável — e perigosa — que diz que grandes mudanças dependem de grandes líderes, grandes investimentos ou grandes eventos. É a ideia de que transformar o mundo é tarefa de “alguém lá de cima”. Enquanto isso, aqui embaixo, seguimos esperando. Observando. Reclamando. Transferindo responsabilidade.


Essa lógica, embora comum, é um dos maiores freios do desenvolvimento — especialmente nas cidades pequenas.

Porque a verdade é outra: nenhuma transformação consistente nasce grande. Ela começa pequena, quase invisível, no gesto cotidiano de alguém que decide fazer diferente. O problema é que aprendemos a subestimar o poder do micro. Achamos pouco plantar uma árvore, organizar um mutirão, ajudar um vizinho, propor uma ideia, questionar o que está errado. Mas é exatamente desse “pouco” repetido que nasce o muito.

E aqui entra um ponto crítico: a juventude.

Nunca se falou tanto sobre o potencial dos jovens. Mas, na prática, o que se vê em muitas cidades é um distanciamento crescente. Jovens desacreditados, desmotivados ou simplesmente desconectados da realidade local. Parte disso vem da falta de oportunidades, sim. Mas parte também vem de uma cultura que acostumou essa geração a consumir mais do que construir.

É mais fácil opinar do que agir. Mais rápido criticar do que propor. Mais confortável assistir do que participar.

Mas nenhuma cidade evolui com espectadores.

Se há algo que precisa ser dito com clareza é: a transformação que muitos esperam já poderia estar acontecendo — se mais gente decidisse começar. E começar não exige perfeição, exige movimento.

O jovem que organiza um projeto cultural, mesmo pequeno, já está mudando o ambiente. Aquele que mobiliza amigos para uma ação social, limpa uma praça, apoia uma causa ou até cria um negócio local está fazendo mais pela cidade do que mil discursos sobre o que “deveria ser feito”. A diferença está na atitude.

É preciso também abandonar a ideia de que impacto só existe quando há visibilidade. Nem toda transformação vira manchete. Mas toda transformação deixa marca.

E há um ganho silencioso nesse processo: quem transforma o ambiente também se transforma. Desenvolve senso de responsabilidade, autonomia, liderança e pertencimento. Sai da posição passiva e passa a construir a própria história — e a história do lugar onde vive.

Isso não significa ignorar os problemas estruturais. Eles existem e precisam ser enfrentados. Mas esperar que tudo mude para então agir é inverter a lógica. Muitas vezes, é a ação local que pressiona, inspira e viabiliza mudanças maiores.

Cidades pequenas têm uma vantagem que não pode ser desperdiçada: proximidade. Aqui, as ações se espalham mais rápido, as pessoas se conhecem, os impactos são visíveis. Um movimento ganha força com mais facilidade. Uma ideia encontra menos barreiras para sair do papel.

Mas isso só acontece quando alguém decide sair da inércia.

E talvez esse seja o maior desafio da nossa geração: vencer o comodismo disfarçado de crítica. Parar de apenas apontar o que está errado e começar, de fato, a construir o que pode ser melhor.

Não é sobre fazer tudo. É sobre fazer alguma coisa.

A sua rua pode ser diferente. A sua escola pode ser diferente. O seu grupo de amigos pode ser diferente. E, a partir disso, a cidade também pode.

A pergunta não é mais se é possível transformar. É se você está disposto a ser parte disso.

Porque, no fim, o mundo não muda de uma vez. Ele muda toda vez que alguém decide não esperar — e começa, mesmo pequeno, a fazer.

 Até Breve

Vitor M S Marques

Executivo de RH, Escritor e Palestrante

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QUANDO PORTUGAL JOGA, O MUNDO PORTUGUÊS SE ENCONTRA

 (Publicação Jornal A Voz de Serpins - Serpins - Portuga EM MAI/2026)

Há qualquer coisa de mágico quando começa uma Copa do Mundo. Não é apenas futebol. Nunca foi apenas futebol. É como se o tempo desacelerasse por noventa minutos e milhões de pessoas, espalhadas pelos quatro cantos do planeta, passassem a respirar no mesmo ritmo.

 Portugal conhece bem esse sentimento.

 Nas ruas de Lisboa, nas aldeias do interior, nos cafés do Porto, nas varandas do Algarve, mas também em Paris, Luxemburgo, Newark, Toronto, Rio de Janeiro, Luanda ou Genebra, há bandeiras que reaparecem das gavetas, cachecóis que voltam ao pescoço e vozes que se unem num mesmo grito. Portugueses que talvez já não falem diariamente a língua com perfeição, filhos e netos de emigrantes que carregam o país no apelido, no sotaque herdado ou numa saudade que nunca visitou um mapa, reencontram-se emocionalmente através da seleção.

 Durante uma Copa, o oceano deixa de separar. Aproxima.

O futebol cria uma rara suspensão das diferenças. Pouco importa a profissão, a posição política, a conta bancária ou o lugar onde cada um escolheu viver. Por instantes, existe apenas um objetivo comum: acreditar. E talvez seja exatamente isso que mais emocione — a capacidade humana de caminhar junta quando existe um sentimento coletivo maior do que o indivíduo.

É curioso perceber como a consciência coletiva se transforma nesses dias. Pessoas que normalmente mal se cumprimentam conversam nas ruas. Cafés silenciosos tornam-se espaços de abraço. Estranhos celebram juntos como velhos amigos. O padeiro, o médico, o estudante, o reformado e o emigrante distante passam a partilhar a mesma ansiedade, o mesmo sorriso e até a mesma superstição.

A pergunta inevitável é: por que conseguimos fazer isso apenas no futebol?

Talvez porque o futebol seja um dos últimos territórios onde ainda nos permitimos sentir pertença sem vergonha. Num tempo em que o individualismo cresce, em que as pessoas se isolam atrás de ecrãs e opiniões, a seleção nacional ainda consegue lembrar que existe força no coletivo.

 E essa talvez seja a maior lição escondida numa Copa do Mundo.

A união de consciências em torno de um objetivo comum não deveria surgir apenas diante de um relvado. Um país também se constrói quando a sua gente se une para defender valores essenciais: dignidade, respeito, educação, solidariedade, memória, cultura e humanidade. O mesmo fervor que pinta ruas de verde e vermelho poderia igualmente mover sociedades mais justas, comunidades mais humanas e relações menos indiferentes.

Portugal espalhou-se pelo mundo há séculos. Levou língua, cultura, trabalho e coragem para continentes inteiros. Hoje, os portugueses espalhados pelo planeta continuam a provar que a identidade não vive apenas no território — vive sobretudo no sentimento de pertença.

E talvez seja isso que uma Copa revela com tanta beleza: um país não é apenas uma geografia. É uma consciência coletiva. É a capacidade de milhões de pessoas sentirem-se parte da mesma história, mesmo quando separadas por oceanos.

Quando Portugal entra em campo, algo maior também entra. Entram memórias de infância, histórias de família, emigrantes que partiram para procurar futuro, avós que ensinaram o hino, crianças que descobrem pela primeira vez o orgulho de pertencer.

No fundo, o futebol apenas acende uma chama que já existia.

A verdadeira questão é o que fazemos com essa chama quando o campeonato termina.

Porque se a humanidade fosse capaz de se unir em torno da paz, da empatia e do bem comum com a mesma intensidade com que se une por uma bola a atravessar uma baliza, talvez o mundo inteiro pudesse finalmente jogar na mesma equipa.

 Até breve!

Vitor Manuel Simões Marques

Executivo de RH, palestrante, escritor e jornalista

Campinas / SP – Brasil

(Neto de Serpins – Filho de Portugal)

 

 



O VOTO QUE NÃO PODEMOS DEIXAR DE DAR <> ESPECIALMENTE AOS IDOSOS COM 70 ANOS OU MAIS

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